Mostrando postagens com marcador PITACOS BLUESEIROS E GERAIS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PITACOS BLUESEIROS E GERAIS. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS


Matéria do Último Segundo (www.ultimosegundo.ig.com.br)


Uruguaios dão último adeus ao escritor Mario Benedetti

MONTEVIDÉU – Centenas de uruguaios compareceram hoje ao Panteão Nacional do cemitério central de Montevidéu para se despedirem do poeta Mario Benedetti, que faleceu no último domingo aos 88 anos.

A multidão acompanhou o cortejo fúnebre do Palácio Legislativo, onde o corpo de Benedetti estava sendo velado, e homenageou o escritor com longos aplausos.

"Vim me despedir dele. Sua obra e sua personalidade sempre me motivaram. Mario representou principalmente para mim a luta e a resistência social dos uruguaios", disse à ANSA a comerciante Susana que, como muitos habitantes de Montevidéu, quis fazer uma última homenagem ao poeta.

Ontem, diversas autoridades e personalidades do Uruguai, como o presidente Tabaré Vázquez, visitaram o Palácio Legislativo para dar adeus a Benedetti. "Homens como Mario nunca morrem", disse ontem o mandatário, ao falar sobre o escritor, que participou da criação da coligação de esquerda Frente Ampla, que atualmente governa o país.

Benedetti, que faleceu no último domingo, sofria de problemas respiratórios e uma doença intestinal crônica. Nos últimos dois anos, seu estado de saúde estava extremamente delicado. Sua última aparição pública foi em dezembro de 2007, quando foi homenageado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em um ato na capital uruguaia.



Meu comentário...
Mais um grande e engajado que nos deixa... Ou não nos deixa, definitivamente!
Com a troca de plano, geralmente os homens tornam-se maiores e melhores do que o foram em vida.
Mario Benedetti (Paso de los Toros, 14 de setembro de 1920 — Montevidéu, 17 de maio de 2009).
Poeta, escritor e ensaísta uruguaio. Integrante da Geração de 45, a qual pertencem também Idea Vilariño e Juan Carlos Onetti, entre outros.
Considerado um dos principais autores uruguaios, iniciou a carreira literária em 1949 e ficou famoso em 1956, ao publicar "Poemas de Oficina", uma de suas obras mais conhecidas. Benedetti escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos e ensaios, assim como roteiros para cinema.
Célebre o disco onde Mario e Daniel Viglietti (A Dos Voces, 1985) misturam música latino americana engajada política e socialmente com poesia igualmente engajada. Quem não conhece, deve fazê-lo antes de morrer.
Milonga de andar lejos e Anaclara são minhas preferidas do disco...



Milonga de Andar Lejos...
Que lejos esta mi tierra
y sin embargo que cerca
pues existe un territorio
donde la sangre se mezcla

Tanta distancia y camino
tan diferentes banderas
y la pobreza es la misma
los mismos hombres esperan

Yo quiero romper mi mapa
formar el mapa de todos
mestizos negros y blancos
trazarlo codo con codo

Los rios son como venas
de un cuerpo entero extendido
y es el color de la tierra
la sangre de los caidos

No somos los extranjeros
los extranjeros son otros
son ellos los mercaderes
y los esclavos nosotros

Yo quiero romper la vida
como cambiarla quisiera
ayudenme compañeros
ayudenme no demoren

que una gota con ser poco
con otra se hace aguacero


Anaclara...
Con un grafo
ella escribe en las paredes ”resistir”,
bufanda rojinegra por la espalda,
minifalda,
Anaclara.
Borra infancia
aprendiendo en bellas artes a crecer,
con pechos de rosales sin espinas,
agua marina,
Anaclara.
Es de agua
cuando el hijo se enamora de la sed
y si el niño le regala una amapola
llora sola,
Anaclara.
Nunca encuentra
porque busca siempre el modo de no hallar,
aunque sabe que lo nuevo se conquista,
anarquista,
Anaclara.
Si la hieren
de tan tierna tiene miedo de morir
y entonces pone espinas en las rosas,
temerosa,
Anaclara.
De mañana
va tejiendo los telares de la duda,
aún desnuda preguntándole al espejo
un consejo,
Anaclara.
Hospitales
que conocen la dulzura de sus manos,
los dolores con mirarla ya se olvidan,
fisiatría,
Anaclara.
Si el camino
Ana
oscura siempre claro quieres ver,
nunca dejes,
Anaclara, tu locura compañera,
tu locura de palomas casi halcones,
tus pasiones,
Anaclara.

terça-feira, 28 de abril de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS


Era quase meia noite, Robert partira para Clarksdale numa encruzilhada da rodovia 61 com a 49 levando consigo uísque adulterado e sua Dobro 1927 californiana com velhas cordas oxidadas a ponto de rasgar os dedos. A fumaça de seu Lucky Strike Bull´s Eyes cortava o espaço nebuloso quando um bend escandaloso fora cuspido de uma velha gaita cromada. Era Thomaz.Robert continuara a estória assegurando que quando desejou seguir Son House por Robunsonville este o esnobou certa vez num café ao lado de Willie Brown, “Aquilo nunca foi nem será blues, ele veio me procurar, disse que me seguiria onde eu fosse, coitado, o garoto não tem talento Wil.”O final todos conhecem, Thomaz toma o violão empenado de Johnson e o afina um tom abaixo, a tensão das cordas se foi e o que ouvi depois foi um mi maior afrouxado seguido de uma pegada densa, arrastando um riff pesaroso caindo para um lá maior, tensa mas singela, o contraste da chegada na quinta da harmonia foi um repouso melódico para depois voltar com mais vivacidade na nota principal. Nada de solos impertinentes, obviedade na execução. Tocava como um demônio!



tem ou não tem uma imagem de “rosto diabólico” nesta foto?????

Robert Leroy Johnson (8 de Maio, 1911 – 16 de Agosto, 1938) foi um cantor, guitarrista Norte-americano de Blues. Johnson é um dos músicos mais influentes do Mississippi Delta Blues e é uma importante referência para a padronização do consagrado formato de 12 compassos para o Blues.
Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississippi. Sua data de nascimento oficialmente aceita (1911) provavelmente está errada. Registros existentes (documentos escolares, certidões de casamento e certidão de óbito) sugerem diferentes datas entre 1909 e 1912, embora nenhum contenha a data de 1911.
Johnson é freqüentemente citado como "o maior cantor de blues de todos os tempos", ou mesmo como o mais importante músico do Século XX, mas muitos ouvintes se desapontam ao conhecer o seu trabalho, pois o estilo peculiar do Delta Blues e o padrão técnico das gravações de sua época estão muito distantes dos padrões estéticos e técnicos atuais.
Embora Johnson certamente não tenha inventado o blues, que já vinha sendo gravado 15 anos antes de suas gravações, seu trabalho modificou o estilo de execução, empregando mais técnica, riffs mais elaborados e maior ênfase no uso das cordas graves para criar um ritmo regular. Suas principais influências foram Son House, Leroy Carr, Kokomo Arnold e Peetie Wheatstraw. Johnson tocou com o jovem Howlin' Wolf e Sonny Boy Williamson (que afirma ter estado presente no dia do envenenamento de Johnson e ter alertado Johnson sobre a garrafa de whisky). Johnson influenciou Elmore James e Muddy Waters, e o blues elétrico de Chicago na década de 1950 foi criado em torno do estilo de Johnson. Há uma linha direta de influência entre a obra de Johnson e o Rock and roll que se tornaria popular no pós-guerra.
Anos após sua morte, o grupo de admiradores de Johnson cresceu e inclui astros do rock como Keith Richards e Eric Clapton.
Em 1999 os The White Stripes lançaram no seu álbum de estréia homônimo uma canção de Johnson; Stop Breaking Down.

CURIOSIDADES....

*Robert Johnson gravou apenas 29 músicas em um total de 41 faixas, em duas sessões de gravação em San Antonio, Texas, em Novembro de 1936 e em Dallas, Texas, em Junho de 1937. Treze músicas foram gravadas duas vezes. Suas músicas continuam sendo interpretadas e adaptadas por diversos artistas, como Eric Clapton, The Rolling Stones, The Blues Brothers, Red Hot Chili Peppers e The White Stripes.

*Em 1938 Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado pelo marido ciumento de uma de suas amantes. Johnson se recuperou do envenenamento, mas contraiu pneumonia e morreu 3 dias depois, em 16 de Agosto de 1938, em Greenwood, Mississippi. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo. Seu certificado de óbito cita apenas "No Doctor" (Sem Médico) como causa da morte. Outra lenda diz que ele morreu de quatro uivando no corredor do hotel que ele estava.

*O violão de Robert era um Kokomo, marca simples e muito barata. De qualidade precária, não se sabe até hoje como ele conseguiu extrair das gravações uma sonoridade robusta e, ao mesmo tempo fina, com a caixa pequena e estreita do instrumento.

*Robert Johnson gravou seu repertório em sessões no Mississipi e clássicos no Texas. As duas versões de Crossrodas, por exemplo, foram registradas em Santo Antônio(Texas). Coube a ele escrever a música a caminho, em uma parada em Forth Worth.

quinta-feira, 19 de março de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

Stevie Ray Vaughan

Stephen "Stevie" Ray Vaughan nasceu em Dallas, no Texas (3 de Outubro de 1954 - 27 Agosto de 1990) e foi um guitarrista de blues americano, conhecido como um dos mais influentes músicos da história. Ele é freqüentemente referido por suas iniciais, SRV. No início de sua carreira Vaughan fez apresentações na banda de seu irmão Jimmie Vaughan, a princípio assumindo o contra-baixo, apenas para ter a oportunidade de tocar em uma banda. Com a experiência adquirida após tocar em uma série de bandas, Vaughan formou o conjunto de blues e rock chamado Double Trouble com o baterista Chris Layton e o baixista Jackie Newhouse no final dos anos 70. Tommy Shannon substituiu Newhouse em 1981. No início conhecido apenas localmente, logo Vaughan atraiu a atenção de David Bowie e Jackson Browne, gravando em álbuns de ambos. O primeiro contato de Bowie com Vaughan havia sido no Montreux Jazz Festival. Bowie lançou Vaughan em seu álbum "Let's Dance" na canção com o mesmo nome e também na canção "China Girl".
O álbum de estréia do Stevie Ray Vaughan & Double Trouble foi lançado em 1983. O aclamado pela crítica, Texas Flood (Produzido por John Hammond) lançou o sucesso top 20 "Pride and Joy" e vendeu bem tanto nos círculos de blues como de rock. Os álbuns seguintes, "Couldn't Stand the Weather" (1984) e "Soul to Soul" (1985), vivenciaram quase o mesmo sucesso dos discos anteriores. O vício em drogas e o alcoolismo levaram Vaughan a ter um colapso durante sua turnê em 1986. Passou por um processo de reabilitação na Georgia um ano mais tarde. Após seu retorno, Vaughan gravou "In Step" (1989), outro disco aclamado pela crítica que ganhou um Grammy pela melhor gravação de blues.
O estilo musical de Vaughan tocar blues era fortemente influenciado por Albert King, que se auto-proclamou "padrinho" de Stevie, e por outros músicos de blues como Otis Rush and Buddy Guy. Stevie é reconhecido por seu som de guitarra característico, que em parte provinha do uso de cordas de guitarra espessas, pesadas, calibre .013 e também da afinação meio tom abaixo do normal em (Eb) mi bemol. O som e o estilo de Vaughan tocar, que freqüentemente mescla partes de guitarra solo com guitarra rítmica, também traz freqüentes comparações com Jimi Hendrix; Vaughan gravou várias canções de Hendrix em seus álbums de estúdio e ao vivo, como "Little Wing", "Voodoo Child (Slight Return)" e "Third Stone from the Sun". Ele também era fortemente influenciado por Freddie King, outro grande músico texano, pricipalmente pelo tom e ataque. O pesado vibrato de King pode ser claramente ouvido no estilo de Vaughan. Outra influência no estilo foi Albert Collins. Sua técnica da mão direita, usando o dedo indicador, foi extensamente utilizada por SRV, batendo na cordas contra o braço da guitarra.
O retorno de Vaughan foi tragicamente interrompido quando, na manhã do dia 27 de agosto de 1990, ele morreu em um acidente de helicóptero próximo a East Troy, Wisconsin. SRV seguia para uma apresentação no Alpine Valley Music Theater, onde na tarde anterior se apresentara junto com Robert Cray, Buddy Guy, Eric Clapton e seu irmão mais velho Jimmie Vaughan. Stevie encontrou um lugar vazio em um helicóptero com alguns membros da equipe de Clapton, e decidiu embarcar. Em conseqüencia do céu extremamente nublado e da forte névoa, o helicóptero de Stevie virou para o lado errado e foi de encontro com uma pista artificial de ski. Não houve sobreviventes.
Stevie Ray Vaughan está enterrado no Laurel Land Memorial Park,em Dallas, no Texas.

quinta-feira, 5 de março de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS





Sympathy For The Devil
Rolling Stones

Composição: Mick Jagger/Keith Richards

Please allow me to introduce myself
I'm a man of wealth and taste
I've been around for a long, long years
Stole many a man's soul and faith

And I was 'round when Jesus Christ
Had his moment of doubt and pain
Made damn sure that Pilate
Washed his hands and sealed his fate

Pleased to meet you
Hope you guess my name
But what's puzzling you
Is the nature of my game

I stuck around St. Petersburg
When I saw it was a time for a change
Killed the czar and his ministers
Anastasia screamed in vain

I rode a tank
Held a general's rank
When the blitzkrieg raged
And the bodies stank

Pleased to meet you
Hope you guess my name, oh yeah
Ah, what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah
(woo woo, woo woo)

I watched with glee
While your kings and queens
Fought for ten decades
For the gods they made
(woo woo, woo woo)

I shouted out,
"Who killed the Kennedys?"
When after all
It was you and me
(who who, who who)

Let me please introduce myself
I'm a man of wealth and taste
And I laid traps for troubadours
Who get killed before they reached Bombay
(woo woo, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, oh yeah, get down, baby
(who who, who who)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, oh yeah
But what's confusing you
Is just the nature of my game
(woo woo, who who)

Just as every cop is a criminal
And all the sinners saints
As heads is tails
Just call me Lucifer
'Cause I'm in need of some restraint
(who who, who who)

So if you meet me
Have some courtesy
Have some sympathy, and some taste
(woo woo)
Use all your well-learned politesse
Or I'll lay your soul to waste, um yeah
(woo woo, woo woo)

Pleased to meet you
Hope you guessed my name, um yeah
(who who)
But what's puzzling you
Is the nature of my game, um mean it, get down
(woo woo, woo woo)

Woo, who
Oh yeah, get on down
Oh yeah
Oh yeah!
(woo woo)

Tell me baby, what's my name
Tell me honey, can ya guess my name
Tell me baby, what's my name
I tell you one time, you're to blame

Oh, who
woo, woo
Woo, who
Woo, woo
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah

What's my name
Tell me, baby, what's my name
Tell me, sweetie, what's my name

Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Woo, who, who
Oh, yeah
Woo woo
Woo woo






TRADUÇÃO

Simpatia pelo Demônio

Por favor, deixe-me apresentar
Sou um homem rico e de bom gosto
Estive por aí por muitos anos
Roubei a alma e destino de muitos homens.

Estava lá quando Jesus Cristo
Teve seu momento de indecisão e dor.
Certifiquei me de que Pilatos
Lavasse suas mãos e selasse seu destino.

Prazer em conhecê-lo
Espero que adivinhe meu nome.
Mas o que está te intrigando
É a natureza de meu jogo.

Estava por perto em São Petersburgo
Quando vi que estava na hora de uma mudança.
Matei o Czar e seu ministros
Anastazia gritou em vão.

Montei em um tanque
Mantive a posição de General
Quando a guerra relâmpago enfureceu
E os corpos fediam.

Prazer em conhecê-lo
Espero que adivinhe meu nome.
Mas o que está te intrigando
É a natureza de meu jogo.

Assisti com alegria
Enquanto seus Reis e Rainhas
Lutaram por dez décadas
Pelos Deuses que criaram.

Gritei alto
"Quem matou os Kennedys?"
Quando, no final das contas,
Fui eu e você.

Por favor, deixe-me apresentar
Sou um homem rico e de bom gosto.
Deixei armadilhas para os trovadores
Que acabaram mortos antes de alcançar Bombay.

Prazer em conhecê-lo
Espero que adivinhe meu nome
Mas o que está o confundindo
É a natureza de meu jogo.

Assim como todo policial é um criminoso
E todos os pecadores são santos
E cabeças são caudas.
Simplesmente me chame de Lúcifer
Porque preciso de algum nome.

Então se encontrar-me
Seja cortêz,
Seja simpático e tenha bom gosto
Use de toda etiqueta que conhece
Ou então tomarei sua alma.

Prazer em conhecê-lo
Espero que adivinhe meu nome
Mas o que está o confundindo
É a natureza de meu jogo.














sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS



Essa Linda Canção
Camisa de Vênus

Eles lhe fodem se você vai trabalhar
Eles lhe fodem quando querem seu lugar
Eles lhe fodem se você é um campeão
Eles lhe fodem se você é um cuzão

Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido

Eles lhe fodem quando você é uma gostosa
Eles lhe fodem quando você é gulosa
Eles lhe fodem se você fica calado
Eles lhe fodem quando estão do seu lado

Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido


Eles lhe fodem quando você marca touca
Eles lhe fodem se você é bicha e louca
Eles lhe fodem quando você contra ataca
Eles lhe fodem se você é um babaca

Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido

Eles lhe fodem se você é um negão
Eles lhe fodem baby se você é um mulherão
Eles lhe fodem se você é japonês
Eles lhe fodem quando chega o fim do mês...

Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido


Eles lhe fodem se você é dedo-duro
Eles lhe fodem quando você pula o muro
Ah! eles lhe fodem se você é um valentão
Eles lhe fodem quando você tem razão

Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido

Eles lhe fodem quando você vai votar
Eles lhe fodem se você vai acreditar
Eles lhe fodem quando a coisa fica preta
Eles lhe fodem e não é na buceta

Mas esse caminho é tão comprido, oh yeah!
Todo mundo tá fudido
Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido
Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido
Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido
Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido
Mas esse caminho é tão comprido
Todo mundo tá fudido

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

“bobby bland”

“É um cantor de voz rouca e quente, poderoso e sofisticado, notavelmente dramático, às vezes suplicante e dotado de numerosos recursos. Bobby Bland é um exemplo de um genial intérprete de Gospel, vindo do Blues e que se entregou por inteiro ao Soul sem perder seu carisma.”




Robert Calvin “Blue” Bland nasceu em 27/lunho ou janeiro/1930 em Rosemark, Tennessee, pequena cidade algodoneira, onde aprendeu já aos 5 anos de idade a tocar violão e a se introduzir no Gospel. Em 1947 sua família foi para Memphis, onde ele alternou trabalho em uma oficina de carros e com vários shows, colaborando com grupos de Gospel e outras bandas. Também frequentava com regularidade a famosa “Beale Street”, local conhecido por ser frequentado por um grande número de candidatos à músicos profissionais, na época.


Em 1961, quando trabalhava como motorista de BB King, ganhou um concurso para amadores do Teatro Palace, e pôde ver sua primeira gravação ser lançada no mercado. Sua crescente fama chegou aos ouvidos de um DJ da rádio WDIA de Memphis, que também era dono de um selo musical. Em 1955, o selo mudou de dono, e o novo proprietário, de poucos escrúpulos, “passou a perna” em todos os seus contratados, apoderou-se da autoria de muitas das músicas de Bobby. Com tudo isso, foi a partir de 1955 que Bobby Bland começou a despontar como grande bluesmen. Na década de 60, seu estilo foi se aproximando cada vez mais do soul , por determinação das gravadoras de então, mas sem perder o espírito e a classe. Foi influenciado pelo Reverendo Franklin (o pai de Aretha), T-Bone Walker, BB King, Roscoe Gordon.


No final dos anos 50 eclodiu o ‘soul-blues”, do qual Bobby foi um dos responsáveis principais. Ele se engrandecia diante das grandes platéias, dos grandes públicos. Foi um dos primeiros bluesmen “superprofissionais”, que ofereciam o melhor de si mesmo para os expectadores, que iam ao delírio, fachos e luzes cuidadosamente arranjados garantiam o espetáculo, junto a um som em um volume ensurdecedor. Embora não toque nenhum instrumento, Bobby é uma das grandes figuras do blues moderno. Assim como Frank Sinatra, foi chamado de “The Voice” do blues.

Apesar de alguns puristas subestimarem o seu valor por acharem-no muito comercial, Bobby é, sem dúvida, um virtuoso. Grande parte de suas canções são voltadas para as mulheres.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

Stairway to Heaven





There's a lady who's sure
All that glitters is gold
And she's buying a stairway to heaven.
When she gets there she knows
If the stores are all closed
With a word she can get what she came for.
Ooh, ooh, and she's buying a stairway to heaven.
There's a sign on the wall
But she wants to be sure
'Cause you know sometimes words have two meanings.
In a tree by the brook
There's a songbird who sings,
Sometimes all of our thoughts are misgiven.
Ooh, it makes me wonder,
Ooh, it makes me wonder.
There's a feeling I get
When I look to the west,
And my spirit is crying for leaving.
In my thoughts I have seen
Rings of smoke through the trees,
And the voices of those who standing looking.
Ooh, it makes me wonder,
Ooh, it really makes me wonder.
And it's whispered that soon
If we all call the tune
Then the piper will lead us to reason.
And a new day will dawn
For those who stand long
And the forests will echoe with laughter.
If there's a bustle in your hedgerow
Don't be alarmed now,
It's just a spring clean for the May queen.
Yes, there are two paths you can go by
But in the long run
There's still time to change the road you're on.
And it makes me wonder.
Your head is humming and it won't go
In case you don't know,
The piper's calling you to join him,
Dear lady, can you hear the wind blow,
And did you know
Your stairway lies on the whispering wind.
And as we wind on down the road
Our shadows taller than our soul.
There walks a lady we all know
Who shines white light and wants to show
How ev'rything still turns to gold.
And if you listen very hard
The tune will come to you at last.
When all are one and one is all
To be a rock and not to roll.
And she's buying a stairway to heaven.



Há uma senhora que acredita
Que tudo o que brilha é ouro
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso
Quando ela chega lá ela percebe
Se as lojas estiverem todas fechadas
Com uma palavra ela consegue o que veio buscar
E ela está comprando uma escadaria para o céu
Há um cartaz na parede
Mas ela quer ter certeza
Porque você sabe que as vezes as palavras têm duplo sentido
Em uma árvore a beira do riacho
Há um rouxinol que canta
Às vezes todos os nossos esforços são em vão
Isto me faz pensar
Isto me faz pensar
Há algo que sinto
Quando olho para o oeste (1)
E meu espírito chora para partir
Em meus pensamentos tenho visto
Anéis de fumaça atravessando as árvores
E as vozes daqueles que ficam parados olhando
Isto me faz pensar
Isto realmente me faz pensar
E um sussurro avisa que cedo
Se todos entoarmos a canção
O flautista nos levara à razão (2)
E um novo dia irá nascer
Para queles que suportarem
E a floresta irá ecoar gargalhadas (3)
Se há um alvoroço em sua horta
Não fique assustada
É apenas uma limpeza de primavera da rainha de maio (4)
Sim, há dois caminhos que você pode seguir
Mas na longa estrada
Há sempre tempo de mudar o caminho que você segue (5)
E isso me faz pensar
Sua cabeça lateja e não vai parar
Caso você não saiba
O flautista te chama para se juntar a ele
Querida senhora, pode ouvir o vento soprar?
E você sabe
Sua escadaria repousa no vento sussurrante
E enquanto corremos soltos pela estrada
Nossas sombras mais altas que nossas almas
Lá caminha uma senhora que todos conhecemos
Que brilha luz branca e quer mostrar
Como tudo ainda vira ouro
E se você ouvir com atenção
Ao menos a canção irá chegar a você
Quando todos são um e um é o todo
Ser uma rocha e não rolar
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso





Embora a música não faça nenhuma referência clara a satanismo alguns trechos costumam ser indicados como tais.
Claro que tudo não passa de suposição.
(1) A referência ao oeste se refere ao fato de as orações satânicas serem feitas com o sacerdote voltado para o oeste.
(2) O flautista que chama os passantes, citado duas vezes na música, seria uma referência ao deus grego Pã (criatura com corpo de homem, chifres e pés de bodes e que toca uma flauta para atrair mulheres). Pã é um Deus pagão adorado até os dias de hoje, associado aos prazeres terrenos e principalmente ao sexo. Pã foi ainda uma das fontes da imagem de Satã que se usa até hoje, com corpo humano, chifres e pés de bode. Esta é a única referência mais forte a algum tipo de paganismo na letra.
(3) As árvores com sentimentos e capazes de falar são comuns na cultura celta e citadas em diversos ritos pagãos de feitiçaria.
(4) A "rainha da primavera" também é uma referência a ritos pagãos de fertilidade. Este trecho se refere aparentemente à primeira menstruação de uma mulher. O termo hedgerow (horta) é uma gíria inglesa antiga para o órgão sexual feminino.
(5) Aqui a mensagem satânica seria a de que é possível mudar na última hora o caminho a ser seguido.
Os dois caminhos seriam o caminho do bem e o caminho do mal.





segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS



Embora aos desavisados possa não parecer,mas a letra da música é um petardo dirigido diretamente as gravadoras, que já na época do Mr. King priorizavam o comercialismo vazio e dsprovido de ética.

Imagina se a letra fosse composta nos dias de hoje, diante de tamanha MERDIOCRIDADE cultural.



The Thrill Is Gone

BB King



The thrill is gone

The thrill is gone away

The thrill is gone baby

The thrill is gone away

You know you done me wrong baby

And you'll be sorry someday


The thrill is gone

It's gone away from me

The thrill is gone baby

The thrill is gone away from me

Although I'll still live on

But so lonely I'll be



The thrill is gone

It's gone away for good

Oh, the thrill is gone baby

Baby its gone away for good

Someday I know I'll be over it all baby

Just like I know a man should


You know I'm free, free now baby

I'm free from your spell

I'm free, free now

I'm free from your spell

And now that it's over

All I can do is wish you well


A emoção se foi

A emoção foi embora

A emoção se foi baby

A emoção foi embora

Você sabe que me faz mal, baby

E você sentirá muito algum día


A emoção se foi

Foi embora de mim

A emoção se foi baby

A emoção foi embora de mim

Embora, eu ainda viva

Mas tão solitário serei


A emoção se foi

Foi embora para o bem

A emoção se foi baby

Foi embora para o bem

Algum día eu sei que eu estarei de braços abertos

Justamente como eu sei que um bom homem deveria estar


Você sabe que eu estou livre, livre agora baby

Eu estou livre de seu feitiço

Oh eu estou livre, livre, livre agora

Eu estou livre de seu feitiço

E agora está tudo acabado

Tudo que eu posso fazer é desejar o seu bem

sábado, 10 de janeiro de 2009

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS


“ERIC CLAPTON & YARDBIRDS”

“E foi nessa época (1966), quando se viam as pichações nas paredes inglesas que afirmavam: Clapton é Deus”

The Yardbirds não duraram muito na cena musical britânica dos meados dos anos sessenta e só uma de suas polifacéticas formações conseguiu realmente entusiasmar os fãs de rhythm-and-blues: o triumvirato que formaram Eric Clapton, Jimmy Page e Jeff Beck. Enquanto os dois últimos,após terem saído do grupo resolveram seguir uma linha mais roqueira, o maestro Clapton, que dava um toque mágico a muitas das gravações e shows que faziam, continuou um amante do blues, ainda que também tenha se dedicado a interpretar temas de outras linhagens, como o folk e o pop.
Não deixa de ser impressionante pensar que enquanto o público enlouquecia com os Beatles ou os Stones, outros músicos, também tão jovens, lutavam por divulgar às novas gerações toda uma plêiade de gênios do blues, que a indústria fonográfica relutava em reconhecer seus méritos. Eric Capton foi um dos que fez desta batalha sua bandeira desde 1963.


Embora não seja nenhum Deus, Eric Clapton encontra-se bem estabelecido e já atingiu o poder e a glória no mundo musical há bastante tempo. Ningúem duvida que foi um músico que rompeu esquemas e mudou o rumo do rock, com sua guitarra que em muito influenciou as novas gerações, partindo do blues para criar novos sons.
Nasceu em 30 de março de 1945, em Ripley, condado de Surrey, na Inglaterra. Criado pelos avós, aos 13 anos descobriu Chuck Berry e Buddy Holly e, três anos mais tarde, na escola de arte de Kingstom, começou a tocar guitarra e a reproduzir os sons dos bluesmen que ia conhecendo (Big Bill Bronzy, Robert Johnson, Muddy Waters, B. B. King, entre outros) –Todos merecerão seu programa aqui na estação blues!. Em janeiro de 1963 uniu-se , ainda que por apenas algumas semanas aos The Roosters, com Brian e Paul Jones, e pouco depois entrou na banda Casey Jones and The Engineers, na qual tocava também Paul Mc Guiness, que posteriormente fundaria Manfred Mann. Logo depois viria a sua primeira banda importante, (que é também é focada no nosso programa de hoje): The Yardbirds, na qual entrou como substituto do guitarrista Tony Tophan.


No clube Crawdaddy, em Richmond, The Yardbirds ocupou o lugar dos Rolling Stones e até tiveram o privilégio de tocar com Sonny Boy Wiliamson, gravando um disco de enorme sucesso na época. Eram tempos onde aproveitavam ao máximo as intermináveis “rave ups”, sessões instrumentais de longuíssima duração, onde Clapton usava de toda a sua influencia de música indiana para improvisações. Em 1964, com os Yardbirds, gravou o LP “Five Live Yardbirds” e, no ano seguinte, com o lançamento do tema “For your Love”, Clapton entendeu que a banda guinou excessivamente para uma linha mais comercial e deixou a banda para juntar-se à trupe mais purista de John Mayall (que também será apresentado em outra ocasião, com um espetacular disco ao vivo!), no lugar de Roger Dean. Durante um ano e meio Clapton desenvolveu sua técnica e intuição, ganhando a fama de elegante, nada aventureiro nem sentimental, mas sim assimilando perfeitamente a essência do blues.
No verão de 1966 começa sua nova aventura, junto ao baixista Jack Bruce e o basterista Ginger Baker, forma o Cream, uma fogosa banda de ryhthm-and-blues, tecnicamente muito sofisticada, capaz de improvisações com duração de vários minutos e realizar muitas possibilidades musicais. Gravaram vários discos entre 1966 e 1972 e influenciaram enormemente o futuro do hard rock, mas não resistiram às pressões da época.


Após, colaborou com os Beatles no famoso “Álbum Branco”, onde toca guitarra em “While My Guitar Gently Weeps”, proibindo que seu nome aparecesse como parte da autoria, para não desprestigiar seu companheiro e amigo George Harrison.
Depois disso integrou-se à Plastic Ono Band de John Lennon, gravando o disco “Live Peace In Toronto”, tocou na banda que acompanhava Delaney & Bonnie e gravou seu primeiro disco solo: “Eric Clapton”, rodeado por músicos prestigiados. Mesmo com todo o sucesso alcançado, Clapton estava passando por uma fase pessoalmente ruim. Uniu-se afetivamente com Patty Boyd, mulher do amigo George Harrison, a quem dedicaria o tema “Layla” e com quem se casaria em 1979, além de começar a ter sérios problemas com depressão e drogas, o que o levou a um drástico declínio físico, moral e financeiro. Por orientação de seu psiquiatra, iniciou do zero novamente. Voltou à casa de Surrey, começou a fazer exercícios de instrospecção e reencontrou-se definitivamente consigo mesmo e com seu trabalho. Trabalhou ocasionalmente como músico de sessão com John Lennon e Yoko Ono, entre outros.


Em 1972 isolou-se em sua casa nos EUA para viver seu drama de drogado, do qual ainda não havia se livrado. Voltou recuperado ao Rainbow de Londres em janeiro de 1963, junto à Pete Townshed, Stevie Winwood, Jim Capaldi e Ron Wood, entre outros. Participa de um disco junto ao incomparável Howlin’Wolf, definitivametne distanciando-se dos excessos anteriores.
Posteriormente gravou discos com orientação mais pop, o que lhe rendeu duras críticas, inclusive com comentários que davam conta de que “um dos guitarristas mais carismáticos da história do rock havia se perdido para sempre na lama da música pop”. Na década de 80 porém, os críticos depararam-se com pérolas como “August”, que demonstram inequivocamente que o blues continua latente e impregnado no coração do já barbudo guitarrrista.
Em 1993 ganhou 6 prêmios Grammy, incluindo melhor vocalista masculino, melhor disco e melhor música do ano (“Tears in Heaven”, em homenagem ao seu filho, tragicamente morto aos cinco anos de idade, ao cair de um arranha-céus em Manhattan, fato que gerou um longo silêncio por parte de Clapton). Seu LP “Unplugged” foi também eleito o melhor disco do ano.
Ainda na ativa, recentemente fez histórico show em Porto Alegre... Quem viu... inolvidable!!!!!


domingo, 14 de dezembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

“big bill broonzy”

“Os homens vão à igreja para limpar a sua sujeira e as mulheres para mostrar seus vestidos novos. Quando escreverem sobre mim, não digam por favor que eu fui um músico de jazz, digam simplesmente que eu fui um cantor e instrumentista muito famoso do blues, que gravou 260 músicas entre 1925-52.”


Nasceu provavelmente em 26/julho/1893, em Scott, Mississipi. Seu nome era Willian Lee Conley Broonzy, filho de Frank Broonzy e Mitti Belcher, com mais 16 irmãos, todos escravos que trabalhavam em plantações de algodão.Seu tio Jerry Belcher lhe ensinou a tocar violino e músicas clássicas. Ficou muito impressinado ao encontrar, aos 10 anos de idade, CC Rider, um violonista célebre de então. Entusiamou-se e construiu seu primeiro instrumento: um violão feito de restos de caixas. Viveu na Europa durante a I guerra mundial, como soldado do exécito americano.

Em 1919 seu pai lhe obrigou a escolher entre a igreja e o blues. Feita a sua escolha, mudou-se para Chicago, e em 1924 conheceu Papa Charlie Jackson, quem lhe ensinou a tocar violão (já tinha 31 anos). Em 1927 gravou seu primeiro sucesso importante: “Big Bill Blues”. Destronou Tampa Red como rei do cenário blues de Chicago, até a chegada de Muddy Waters. A partir de 1951 sua música chegou a todo o mundo menos na Ásia. Teve enorme sucesso na Europa, sendo o músico preferido na França, Inglaterra e Dinamarca. Foi o primeiro bluesmen a pisar na Espanha.

. Era um modelo de pureza. Amava o velho estilo tradicional do blues rural. Alguns julgam exagerada a sua importância, mas é inegável que foi um músico fundamental por pelo menos 3 décadas. Foi animador de bailes (aqueles em que brancos e negros ficavam separados), carregador, zelador, caseiro, garçom... Sua voz era profunda, ora suave ora estridente, mas sempre era expressiva e expontânea. Era um bom compositor e tinha um sutil senso de humor. Foi uma referência inevitável para todos os cantores de blues de depois dos anos 60.

Em 1955 teve publicada sua biografia: “Big Bill Blues”, a primeira biografia de um bluesmen na história. Em 1957 sua mãe morreu, aos 102 anos. Bill ficou abalado com um câncer na garganta que lhe surgira na mesma época, roubando-lhe a voz e o impedindo de cantar. Morreu em uma ambulância, a caminho do Hospital Billings, de Chicago, às 5:30 h de 15/agosto/1958. Após a sua morte, recebeu de uma revista alemã o título de melhor vocalista; Muddy Waters o homenageou com o disco “Muddy Waters Sing Bill Broonzy” e a academia de música francesa o elegeu o melhor músico de blues tradicional

sábado, 6 de dezembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

“BESSIE SMITH”

“Ouvirmos ainda hoje o pranto melancólico de uma doce mulher –Blues Belle, como também era chamada, que chegou a ser considerada a Embaixadora do Blues, mas afundou na imensidão do oceano da decepção, do álcool, dos bares de última categoria, chegando a ponto de morrer sem que ninguém lhe lançasse uma única linha de reconhecimento.”


Bessie Mae Smith nasceu em 15/abr/1895, em Chattanooga, Tennessee. Ficou órfã aos 8 anos de idade, e a partir de 1912 iniciou a cantar em espetáculos ambulantes, sempre fazendo parte do coro musical destes. Em 1915 encontrou-se com Ma Rainey, realizando várias turnês pelo sul norte-americano, até que em 1918 já tinha seu próprio espetáculo. No começo dos anos 20 mudou-se para a Costa Leste, trabalhando na Filadélfia e em Nova Jérsei. Durante os anos 20 ofereceu-se para trabalhar em várias companhias fonográficas, sempre sendo rejeitada tanto pela sua voz quanto pelos seus modos grosseiros (!!!), até que em 1923 finalmente foi contratada por Frank Walter, na Columbia.


Em fevereiro de 1923 gravou suas primeiras canções. Vendeu 800.000 cópias em seis meses, um estrondoso sucesso!! Foi enormemente prejudicada pela grande depressão que abateu-se sobre a economia norte-americana no final dos anos 20, período em que também surgiram sérios problemas com o GIM. Gravou canções pornográficas, participou nas gravações de curta-metragens e conviveu com fracasso nas vendas – seu último disco “Shipwreck blues” vendeu apenas 400 cópias – e teve que manter-se apenas de seus grandiosos shows, época em que chegou a se apresentar no famoso “Carnegie Hall”.


Em 1937 o blues iniciava sua recuperação e Bessie havia organizado uma sessão de gravação em Hollywood, quando durante uma turnê, sofre um acidente na rodovia 61. Conforme versão da época, morreu sem assistência por ser negra. Seu biógrafo oficial, Frank Albertson, no entanto desmentiu essa afirmação, alegando que Bessie não morreu nem pelo racismo nem pela xenofobia da época, mas sim um acumulado de situações adversas. Na madrugada de 26/set/1937 Bessie e Richard Morgan, amante de Bessie na ocasião, colidiram contra um caminhão de bolachas, Morgan resultando ileso e Bessie com sérias lesões no tórax, braços fraturados e uma grave hemorragia. Foi imediatamente atendida por Hugh Smith, médico branco que passava no local. Após 20 minutos da espera por uma ambulância, resolveram levá-la ao hospital no carro de Hugh, quando um casal em estado de embriaguês provocou novo acidente, batendo contra o carro no qual Bessie estava acomodada.


Ela chegou a ser levada à Clarksdale, mas morreu por falta de estrutura adequada para atendimento de hemorragia grave no local. Seus restos mortais foram depositados em um cemitério nos arredores de Filadélfia, em uma tumba anônima, até que finalmente em 1970, com financiamento de Janis Joplin, sua fã incondicional, foi colocada em sua tumba uma lápide onde se lê “A maior cantora de blues do mundo nunca deixará de cantar.”

POR LUCIANO TEIXEIXEIRA

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

ALBERT KING”

“Costumava se apresentar como irmão de BB King e parecia que adotava uma postura defensiva, mas na verdade era ele quem atacava o blues. Sentia-se bem tocando o blues nu e cru e conseguia produzir um som elegante e sóbrio, porém cheio de tensão, erotizado: o hard-blues.”




Ele era canhoto, e como outros guitarristas, esqueceu de trocar a ordem das cordas na hora de aprender a tocar. Sempre usou uma Gibson Flying V, que batizou de “Lucy”, e passou para a história do Blues sem estardalhaços. Nasceu Albert Nelson, em Indianola, Mississipi, em 25/abril/1923. Seu pai abandonou a família quando ele tinha 5 anos. Com 8 anos mudou-se para uma plantação de algodão no Arkansas e foi lá onde começou a tocar blues com guitarras rudimentares feitas por ele mesmo, até que em 1939 conseguiu seu primeiro violão acústico, e logo tratou de imitar seu ídolo: T-Bone Walker



Após a jornada de trabalho, perambulava pelos bordéis de beira de estrada com senhoritas de reputação duvidosa e, ainda que sua juventude fosse um obstáculo, conseguiu se aproximar dos grandes do blues. Seu primeiro contato com a música profissional foi na Yancey’s Band, onde tocava guitarra rítmica. Em 1948 formou seu primeiro grupo “In The Groove Boys” e mudou de nome, passando a se chamar Albert King.



Albert King não tinha rival no que diz respeito a simpatia e a capacidade artística, e fazia com que o público dos seus shows se deixasse levar por seu estilo nas suas “guitarradas”. Além disso, sabia pontear, de forma que, entre lamentos e lamentos, suas notas estavam entre as sequencias mais rápidas que um bluesmen pode conseguir alcançar. Poucos bluesmen conseguiam com o “bottleneck” uma excitação tão erótica como ele. Com a guitarra nas mãos parecia embalar uma menina nos braços antes de dormir, em vez de dominar um instrumento tão difícil.
Albert King morreu em 21 de Dezembro de 1992, vítima de um ataque cardíaco em Memphis, Tennessee

sábado, 15 de novembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS...

Hoje posto uma sincera homenagem ao grande D.B.S. e a seus pais, heróis como todos os pais o são, mas acima de tudo, PESSOAS ESPECIAIS, dignas de atitudes de extrema NOBREZA em meio à maior tristeza de suas vidas. Em reconhecimento a João e Cristina, que possibilitaram vida a outras cinco pessoas!!!!!





A um homem bom não é possível que ocorra nenhum mal, nem em vida nem em morte.
Sócrates

Canto para Minha Morte
Raul Seixas

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

sábado, 1 de novembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS...

ROCK ARGENTINO


Cuando comenzamos a nacer
La mente empieza a comprender
Que vos sos vos y tenés vida

Que poca cosa es la realidad
Mejor seguir, mejor soñar
Que lo que vale no es el día

Pero el sol está
No es de papel, es de verdad

Tenés una boca para hablar
Y comenzás a preguntar
Y conocés a la mentira

Con tus piernas vas a caminar
Y ahí se te empiezan a encerrar
Y ahí te quedás con tu rutina

Y qué vas a hacer
Uno se cansa de correr

Llenás tus valijas de amor y te vas
A buscar el cuerpo de una mujer
Y descubrís que amor es más que una noche
Y juntos ver amanecer

Poco a poco vos te conformás
Si no es amor es tuya igual
Y vos le das lo que te pida

Pero si te ofrecen el final
Dirás igual me he de quedar
Porque soy yo, porque es mi vida
SUI GENERIS, DO DISCO "VIDA", 1972...
LUCIANO TEIXEIRA



sexta-feira, 24 de outubro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS...

ARTUHR BIG BOY CRUDUP

(treze vivas pro Arthur, o Arthurito (MEU FILHO)!!!
(A inspiração na escolha do nome dele veio deste camarada aqui...)

“Embora Big Boy fosse o autor de muitas músicas populares, que se escutavam com freqüência nas rádios, nunca pode desfrutar de uma situação econômica confortável. Elvis Presley ganhou muito dinheiro cantando as músicas de Crudup, que viveu na miséria. Elvis inclusive pagava algumas despesas pessoais de Crudup, eventualmente, talvez como forma de diminuir o peso em sua consciência.”


Nasceu em 1905, em Forrest, no Missouri. Recebeu aulas de solfejo ainda durante a infância e cantou nos coros infantis de Gospel e Spirituals. Muito cedo saiu de casa e passou a tocar pelo sul dos EUA. Em 1940 iniciou na sua primeira banda Spiritual. Foi para Chicago tentar sucesso como bluesmen, mas não foi bem sucedido. Voltou para a sua terra natal, abandonando temporariamente a atividade artística. Pouco depois iniciou um trabalho de documentação musical na rádio das Forças Armadas, o que o encorajou a voltar a Chicago e a retomar sua carreira musical.


Suas apresentações na rádio local, de grande abrangência, disseminaram a sua fama, multiplicando as suas gravações entre 1945-51. Seus blues foram bastante populares, mas apenas produzia os dividendos: a venda dos discos rendia muito pouco dinheiro, as apresentações ao vivo eram muito mal pagas e os direitos autorais não eram respeitados. Os contratos, quando existiam, eram fraudulentos. O nome do compositor, na maioria das vezes, não figurava nos discos gravados por outros, com isso, as gravadoras não pagavam os direitos autorais.


Nos anos 60, muitas bandas de rock gravavam Crudup, o que aumentou consideravelmente seu número de shows, com todas as honras de um mito. Gravou mais e melhores discos (produção), apresentou-se em programas de TV, rádios locais, tocou em casas com melhor estrutura. Foi um grande colaborador do atual rock and roll. Alguns diziam que seu estilo era uma fusão de John Lee Hoocker e Lightinin’ Hopkins. Pode até ser verdade, mas sua principal característica era a grande capacidade de simplificação de estruturas musicais complexas, o que tornava a sua música bastante popular.


Morreu em 1974, na Virgínia, com um repentino ataque de apoplexia. Recebeu um reconhecimento póstumo que jamais lhe fora dado em vida, como outros, foi um defunto glorificado. Sua influência na música foi comparada à do célebre baixista Willie Dixon. Como apoiava o seu trabalho na voz, geralmente seus acompanhantes eram desconhecidos ou faziam questão de não serem divulgados, o que colaborou sem dúvida para que Big Boy não tivesse a fama de outros bluesmen, que exaltavam as grandes bandas.
LUCIANO TEIXEIRA

sábado, 18 de outubro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS...

Augusto dos Anjos, da série “Poetas Malditos”.

Augusto dos Anjos nasceu no engenho Pau d'Arco, no município de Cruz do Espírito Santo, estado da Paraíba. Foi educado nas primeiras letras pelo pai e estudou no Liceu Paraibano, onde viria a ser professor em 1908. Precoce poeta brasileiro, compôs os primeiros versos aos 7 anos de idade.

Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, bacharelando-se em 1907. Em 1910 casa-se com Ester Filiado. Seu em contato com a leitura, iria influenciar muito na construção de sua dialética poética e visão de mundo.

Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada que também não contestava a essência espiritualística, usando-a para contrapor, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes de sua época e, principalmente, os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, levantavam-se na sua época.

Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-capitalista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte.

Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 30 de outubro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 29 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, onde era diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.

Durante sua vida, publicou vários poemas em periódicos, o primeiro, Saudade, em 1900. Em 1912, publicou seu livro único de poemas, Eu. Após sua morte, seu amigo Órris Soares organizaria uma edição chamada Eu e Outras Poesias, incluindo poemas até então não publicados pelo autor.

Curiosidades biográficas

* Um personagem constante em seus poemas é um pé de tamarindo que ainda hoje existe no Engenho Pau d'Arco.
* Seu amigo Órris Soares conta que Augusto dos Anjos costumava compor "de cabeça", enquanto gesticulava e pronunciava os versos de forma excêntrica, e só depois transcrevia o poema para o papel.
* De acordo com Eudes Barros, quando morava no Rio de Janeiro com a irmã, Augusto dos Anjos costumava compor no quintal da casa, em voz alta, o que fazia sua irmã pensar que era doido.
* Embora tenha morrido de pneumonia, tornou-se conhecida a história de que Augusto dos Anjos morreu de tuberculose, talvez porque esta doença seja bastante mencionada em seus poemas.

Poema negro
A Santos Neto

Para iludir minha desgraça, estudo. Intimamente sei que não me iludo. Para onde vou (o mundo inteiro o nota) Nos meus olhares fúnebres, carrego A indiferença estúpida de um cego E o ar indolente de um chinês idiota! A passagem dos séculos me assombra. Para onde irá correndo minha sombra Nesse cavalo de eletricidade?! Caminho, e a mim pergunto, na vertigem: — Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem? E parece-me um sonho a realidade. Em vão com o grito do meu peito impreco! Dos brados meus ouvindo apenas o eco, Eu torço os braços numa angústia douda E muita vez, à meia-noite, rio Sinistramente, vendo o verme frio Que há de comer a minha carne toda! É a Morte — esta carnívora assanhada — Serpente má de língua envenenada Que tudo que acha no caminho, come... — Faminta e atra mulher que, a 1 de janeiro, Sai para assassinar o mundo inteiro, E o mundo inteiro não lhe mata a fome! Nesta sombria análise das cousas, Corro. Arranco os cadáveres das lousas E as suas partes podres examino. . . Mas de repente, ouvindo um grande estrondo, Na podridão daquele embrulho hediondo Reconheço assombrado o meu Destino! Surpreendo-me, sozinho, numa cova. Então meu desvario se renova... Como que, abrindo todos os jazigos, A Morte, em trajos pretos e amarelos, Levanta contra mim grandes cutelos E as baionetas dos dragões antigos! E quando vi que aquilo vinha vindo Eu fui caindo como um sol caindo De declínio em declínio; e de declínio Em declínio, com a gula de uma fera, Quis ver o que era, e quando vi o que era, Vi que era pó, vi que era esterquilínio! Chegou a tua vez, oh! Natureza! Eu desafio agora essa grandeza, Perante a qual meus olhos se extasiam... Eu desafio, desta cova escura, No histerismo danado da tortura Todos os monstros que os teus peitos criam. Tu não és minha mãe, velha nefasta! Com o teu chicote frio de madrasta Tu me açoitaste vinte e duas vezes... Por tua causa apodreci nas cruzes, Em que pregas os filhos que produzes Durante os desgraçados nove meses! Semeadora terrível de defuntos, Contra a agressão dos teus contrastes juntos A besta, que em mim dorme, acorda em berros Acorda, e após gritar a última injúria, Chocalha os dentes com medonha fúria Como se fosse o atrito de dois ferros! Pois bem! Chegou minha hora de vingança. Tu mataste o meu tempo de criança E de segunda-feira até domingo, Amarrado no horror de tua rede, Deste-me fogo quando eu tinha sede... Deixa-te estar, canalha, que eu me vingo!
Súbito outra visão negra me espanta! Estou em Roma. É Sexta-feira Santa. A treva invade o obscuro orbe terrestre. No Vaticano, em grupos prosternados, Com as longas fardas rubras, os soldados Guardam o corpo do Divino Mestre. Como as estalactites da caverna, Cai no silêncio da Cidade Eterna A água da chuva em largos fios grossos... De Jesus Cristo resta unicamente Um esqueleto; e a gente, vendo-o, a gente Sente vontade de abraçar-lhe os ossos! Não há ninguém na estrada da Ripetta. Dentro da Igreja de São Pedro, quieta, As luzes funerais arquejam fracas... O vento entoa cânticos de morte. Roma estremece! Além, num rumor forte, Recomeça o barulho das matracas. A desagregação da minha idéia Aumenta. Como as chagas da morféa O medo, o desalento e o desconforto Paralisam-se os círculos motores. Na Eternidade, os ventos gemedores Estão dizendo que Jesus é morto! Não! Jesus não morreu! Vive na serra Da Borborema, no ar de minha terra, Na molécula e no átomo... Resume A espiritualidade da matéria E ele é que embala o corpo da miséria E faz da cloaca uma urna de perfume. Na agonia de tantos pesadelos Uma dor bruta puxa-me os cabelos, Desperto. É tão vazia a minha vida! No pensamento desconexo e falho Trago as cartas confusas de um baralho E um pedaço de cera derretida! Dorme a casa. O céu dorme. A árvore dorme. Eu, somente eu, com a minha dor enorme Os olhos ensangüento na vigília! E observo, enquanto o horror me corta a fala, O aspecto sepulcral da austera sala E a impassibilidade da mobília. Meu coração, como um cristal, se quebre O termômetro negue minha febre, Torne-se gelo o sangue que me abrasa, E eu me converta na cegonha triste Que das ruínas duma casa assiste Ao desmoronamento de outra casa! Ao terminar este sentido poema Onde vazei a minha dor suprema Tenho os olhos em lágrimas imersos... Rola-me na cabeça o cérebro oco. Por ventura, meu Deus, estarei louco?! Daqui por diante não farei mais versos.

LUCIANO TEIXEIRA
Ouça ESTAÇÃO BLUES toda quarta 22:30 h na 104,5 FM - www.radiocom.org.br

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS...

Conforme havia dito, após as eleições o BLOG estaria mais dinâmico. Então agora temos mais um assunto a tratar por aqui. Além das Colunas escritas para o Jornal O Momento e das histórias da Coluna "COISAS QUE ACOINTECEM! (SÉRIO?)"; agora temos também o prazer de trazer ao internauta uma coluna sobre música denominada "PITACOS BLUESEIROS & GERAIS..."


A coluna fica a cargo de um grande amigo meu o qual tenho o prazer de apresentar a seguir:



Luciano Teixeira

Natural de Jaguarão, da fronteira Brasil – Uruguay, filho da pátria grande, viciado em rock'n'roll & blues, produtor e apresentador do ESTAÇÃO BLUES, na Radio Com FM 104,5 - www.radiocom.org.br - leitor do blog desse camarada mergulhão, companheiro de Radio e de outras "furadas" da vida.

Gremista!!!

Um cara que ainda pensa em "construir sua escadaria para o céu..."

Luciano, te desejo a maior sorte possível e espero que assim com eu te divirtas escrevendo por aqui.

Sem mais delongas vamos a sua primeira coluna:


ALBERT COLLINS

“Se costumava tocar nas festas noturnas no campo, iluminadas pela luz de um lampião a querosene, hoje tem reconhecimento pleno: os originais de seus primeiros discos estão avaliados em mais de 100 dólares cada.”
“ALBERT COLLINS” Nasceu em uma fazenda a 03/outubro/1932, em Leona, Texas. Aos 7 anos começou a estudar piano, em Houston, pra onde sua família tinha se mudado. Em 1944 ou 45 escutou no rádio “Boogie Chillun”, de John Lee Hoocker e resolveu mudar de instrumento, começando a tocar violão acústico. Seu primeiro violão foi fabricado com uma caixa de charutos e arame, logo conseguiu que um marceneiro fizesse um de madeira de carvalho, o qual pagou com trabalho. Com 15 anos já fazia shows com Clarence Brown. Em 1948 formou seu primeiro grupo e trabalhava como músico de sessão, vindo a substituir Jimi Hendrix quando este saiu do grupo de Little Richard. Só gravou seu primeiro disco em 1958, já com muita reverberação, ecos, metais e órgão.
Como vendeu 20.000 cópias de seu disco, resolveu seguir a carreira de músico profissional. De fato foi uma decisão acertada, pois seu terceiro disco já vendeu 1 milhão de cópias. Tocou nas bandas de BB King e Freddie King, até que em 1966, após a morte de sua mãe, estabeleceu-se em Kansas, por lá constituindo família. Sua esposa Gwendolin tornaria-se a compositora de muitas de suas músicas.
A partir de 1968 tocou em muitos dos melhores palcos dos EUA e Europa, tendo gravado com muita gente: os melhores músicos de blues e rock and roll de então queriam gravar com Albert Collins. Foi um dos dois ou três artistas destacados que influíram de modo decisivo nos grupos brancos de rock., introduzindo as suas raízer negras nas formas dos mais genuínos bluesmen. Tinha uma personalidade musical que fugia dos padrões de então, mas mergulhava os ouvintes em uma instrumentação muito próxima do melhor do rhythm and blues.
Na turnê européia de 1993 diagnosticaram-lhe um avançado câncer de pulmão, já sem possibilidades de tratamento. Seus projetos foram interrompidos em 24/novembro/1993 morria o “mágico da telecaster”, guitarra que sempre usou em toda a sua vida.