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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Secretários, Secretários Interinos e Secretários “Inteirinhos”




Iniciada a quarentena eleitoral, quando o Secretário de Cultura, Turismo e Desporto de SVP deixou o cargo para candidatar-se a vereador, sofremos três meses de secretários interinos. Digo sofremos, pois o interino é, e não é. Responde normalmente como titular por outra secretaria, e vê-se de repente responsável por algo que lhe cai no colo, sem vontade de sê-lo. E a coisa fica assim: ninguém decide nada. É o limbo, na mais pura acepção de palavra.
Pois semana passada foi nomeado finalmente, um secretário, a quem estou chamando de “inteirinho’, pois, ao que parece, temos, finalmente, um secretário inteirinho, ao menos, para a Cultura. Ou não, pois a Secretaria de Cultura é de Cultura, de Despoto e de Turismo. Esperemos, que para o bem de todos e felicidade geral da nossa nação, o secretário atual possa ser inteirinho para todos os importantes assuntos (e tão díspares, meu deus!) que estão sob sua alçada. Mesmo que só por quatro meses.
Mas vou focar só na Cultura, que é por onde me atrevo a andar, enxerida que sou. Pois o “inteirinho” me chamou para conevresar, e de repente me dei conta que, desde o planejamento do primeiro mandato do Batata sou chamada, vez em quando, por diferentes elementos do grupo gestor do município, a conversar sobre a Cultura. Mas sabe que há muito tempo não tinha uma impressão tão boa? Faz tempo que não falava com algum gestor da Cultura por aqui e me sentia ouvida, e percebia que o que eu dizia era assimilado, degustado e digerido. Tive a oportunidade de percorrer o Teatro Independência com ele, apontando problemas já apontados tantas vezes, de solução simples, indolor e de praticamente nenhum custo. Soluções que foram prometidas já para a semana que vem, às quais vou acompanhar para ver se foram implementadas, cobrar e louvar, se for o caso.
E o foyer do Teatro nos foi cedido para uso, pois nas palavras do “inteirinho”, “o teatro não pode estar fechado!” Então é assim: vou passar a acompanhar as ações do atual secretário de Cultura, vamos colaborar com o uso do foyer (logo logo posto aqui a programação) e mais logo ainda conto mais sobre esta conversa.
P.S.: para quem não sabe, o foyer é aquela sala que o Teatro tem na frente, no segundo piso, com belas sacadas que se abrem – ou pelo menos deveriam abrir-se – para a praça.
P.S.2: estive no Teatro com o secretário durante uma reunião do Conselho Municipal de Cultura que, para variar, não deu quorum. Falo mais disso outro dia.
P.S.3: espero que tenham reparado que SEMPRE escrevo Cultura e Teatro assim, com maiúscula no início. Não é por questões gramaticais. É por respeito, pura e simplesmente.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

“Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer”



Por Cláudia Schwab

        Um grande amigo e um dos diretores de teatro com quem gosto de trabalhar, mergulhão da Coxilha (que tem aqui o mesmo sentido de “carioca da gema”), morou 15 anos no Rio de Janeiro. Fez teatro, cinema e televisão, deu aulas de teatro pelo Brasil afora, lecionou em universidades, fez amigos. Pois estes amigos, há tempos pedem a ele que dê ao Rio o prazer de rever seu trabalho, que lhes permita o prazer de revê-lo. E por convite destes amigos, que conhecem e reconhecem suas qualidades no palco, conseguimos um belo espaço cênico, alternativo, para não mais que três funções de nosso último trabalho. E depois de meses de preparação (pois conseguir um espaço no Rio de Janeiro não é fácil), lá fomos nós, eu e meu diretor, em pleno frio de julho, rumo à antiga capital federal. Antes disso, batalhar apoio financeiro para pagar a viagem, que tirar dinheiro do próprio bolso para fazer teatro também faz parte do dia-a-dia dos amantes da arte por aqui. Não queríamos isso, não podíamos dar-nos a este luxo. E conseguimos! A viagem pagou-se e somos gratos a quem acreditou (por conta disso, o público da região terá várias oportunidades de assistir ao espetáculo, pois esta é parte de nossa contrapartida pelo apoio recebido).
         O resultado disso tudo? Gratificante! Nosso pequeno, mas seleto público carioca se compôs essencialmente de gente de TV e teatro. Amigos, amigos dos amigos. A recepção ao trabalho foi excelente. O teatro que fazemos aqui, no extremo sul do mundo, distantes do eixo cultural Rio/São Paulo, foi assimilado com prazer e respeito. E foi admirado e elogiado. Muito. Todo artista é vaidoso, e gosta do aplauso. Voltei feliz e orgulhosa de mim mesma, de nós. Enquanto isso, aqui, euforia geral. O povo santavitoriense alegrou-se por nós. Todos aqui nos desejando saucesso, gente que inclusive, nunca vi em nossas platéias. E fizemos sucesso. Tivemos reconhecimento, merecido – sem qualquer resquício de falsa modéstia, que não sou disso – pela qualidade e pelo diferencial de nosso trabalho. Mas o tempo todo, durante os preparativos da viagem, durante a viagem e mais ainda, no retorno, algo em meu coração apertava. Era a vontade de estar aqui. Em minha aldeia. O desejo ardente de perceber esta euforia de nosso público pelo nosso palco. Para mim, O Grande Palco. O palco do Teatro Independência. O palco da minha aldeia... Poder ser aplaudida aqui, poder aplaudir aqui, o trabalho de outros artistas, vindos de outras cidadess, outras aldeias. Porque eu quero mundo, sim, mas eu o quero a partir daqui... E os deixo com Fernando Pessoa. Até outro dia.

DA MINHA ALDEIA- Alberto Caeiro

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

QUANDO VÃO SE ABRIR AS CORTINAS?


Arte. O que é? Qual sua função? Filososfia pura, que não nos cabe aqui. Poderíamos falar dos gregos. De Aristóteles, mais especificamente. “Poética” é a tradução para o termo grego poiesis, fabricação. Em sua “Arte Poética”, Aristóteles nos fala das obras de arte como produtos dos artistas e artífices. A obra de arte como o que é feito pela mão do homem. No século XVIII, passa a se utilizar a expressão “estética” (do grego – sempre eles – aisthétiké, conhecimento sensorial, sensibilidade), abordando as obras de arte enquanto criações de sensibilidade do homem, tendo por finalidade, o belo. E a partir daí, se faz possível desenrolar um longo debate sobre o tema: a arte. Até porque, desde a pré-história o homem expressa alguma coisa em paredes de cavernas, entalhes de ossos ou peças de cerâmica.

Arte: Não há sociedade sem arte. E a nossa sociedade? Como se comporta em relação à arte? Terra de tradição na música, na literatura, nas artes cênicas. Nomes de destaque nas artes plásticas. Alguns bons fotógrafos. Mas quero me fixar nas artes cênicas. Pois não é por nada que temos um teatro como o Teatro Independência. O Independência nasceu dos sonhos de uma geração que viu e viveu o teatro em nosso chão. Hoje, está fechado, depedrado, degradado. Resultado de décadas de desprezo pela arte, resultado de um longo processo de “desculturação”, com o poder da má palavra. O lamentável estado do nosso edifício teatral reflete o descaso com a arte em nosso município.
Aqui se mantém as artes cênicas graças ao trabalho de abnegados apaixonados pela arte. O apoio do poder público é sempre restrito; o da iniciativa privada, curto e suado. Montar um espetáculo é uma guerra: luta-se contra o tempo e o espaço. Atores e diretores trabalham no mínmo oito horas por dia e tem o teatro como lazer. Quando ensaiar? E onde? Como montar um figurino, um cenário? Cadê recursos? E hoje, onde encenar se as portas do Teatro Independência estão fechadas? Mas antes, quando ainda tínhamos acesso ao palco, a estrutura era insuficiente. Luz, som, o palco cheio de pregos, de fendas, de desníveis. E as cadeiras da platéia insuportavelmente quebradas e barulhentas. E o lustre central da platéia, onde foi parar, meu deus... E ainda o público, que pela simples falta de costume de vivenciar a arte, “aplaude” batendo os pés no chão.
Mas apesar disso, se faz teatro aqui. E se faz teatro de qualidade. Apesar de tudo. Apesar de não vermos, aqui, sequer o teatro feito no resto do RS, o que dirá do Brasil.
Quero falar mais sobre isso. Outro dia. Em outro texto.

Cláudia Schwab 

NOVA COLUNISTA NO BLOG

A família do blog cresceu.

Nossa nova colunista de Arte e Cultura é Cláudia Schwab. Ligada as artes cênicas e uma das idealistas do NUMA (Núcleo do Movimento de Arte de Santa Vitória) ela escreverá para o blog sem datas definidas.

Sua primeira coluna está muito boa, fala sobre o Teatro Independência e entra no ar em alguns minutos.

Confira, vale a pena ler!