
Estamos nos aproximando de mais um final de ano. É nesta época em que nós, normalmente, resolvemos fazer mudanças, buscar coisas novas, nos prometendo que neste novo ano as coisas serão diferentes, teremos dinheiro no bolso, muita alegria e sucesso. Pensando nisso, lembrei-me de um personagem da literatura mundial que resolveu buscar o sucesso a qualquer custo. Este personagem chama-se Fausto. Não se preocupe se você não lembra em que livro ele aparece. Na verdade, ele está em vários livros, mas sempre com o mesmo mote. Ele faz um pacto com o diabo para ficar jovem e rico, tendo tudo o que quisesse. Um pacto perfeito, exceto por um detalhe, o pagamento. Fausto, ao fim de um determinado tempo, teria que entregar sua alma ao diabo.
O mito de Fausto surge na Idade Média, precisamente na Alemanha, e surge baseado num personagem histórico, João Jorge Fausto. Esse fausto histórico era um mágico que iludia as pessoas com seus truques, mas que se intitulava o chefe dos nigromantes. Após a sua morte surgiu a lenda de que ele teria feito um pacto com o demônio e, obviamente, isso foi parar nos livros. O primeiro livro a tratar do assunto é o Faustbuch, escrito em torno de 1580.
No Faustbuch, Fausto faz um pacto de 26 anos com um demônio chamado Mefistófeles. De acordo com o pacto, o demônio responderia todas as perguntas que Fausto viesse a fazer, daria a Fausto todas as mulheres que ele quisesse e ainda o manteria jovem. Em contrapartida, ao fim dos 26 anos, Mefistófeles poderia fazer o que quisesse com o corpo de Fausto e levaria sua alma para o inferno. Fausto viveu muito bem os primeiros anos, mas, a medida em que o seu fim se aproximava, ele se sentia cada vez mais apavorado. Mas não teve jeito. Chegou o dia da morte de Fausto. O livro não relata a morte de modo direto, apenas conta que os discípulos de Fausto ouviram barulho em seu quarto, gritos de socorro e de dor, e depois, o silêncio. No dia seguinte, encontraram o quarto cheio de sangue, dentes de Fausto espalhados pelo chão, mas o corpo estava do lado de fora da casa, no estábulo, esquartejado.
O mito se desenvolveu, Goethe, outro escritor alemão, também escreveu seu Fausto, uma peça de teatro em que alguns elementos do primeiro livro são resgatados, há o pacto, Fausto tem o que quer, porém, no fim, diferente do primeiro, Fausto não vai para o inferno. Por causa do amor verdadeiro que Margarida sente por ele, Fausto é salvo no último instante do inferno.
Mais um escritor alemão a abordar o tema foi Thomas Mann. Ele escreveu Doutor Fausto como uma alegoria. Neste livro, o demônio representa ninguém menos que Hitler que teria seduzido o povo alemão com promessas de grandeza e, conseqüentemente, a Alemanha teria assinado um pacto com o diabo ao eleger Hitler. Assim, a Alemanha seria representada por Adrian, que faz as vezes de Fausto, e Hitler seria Mefistófeles, o demônio. A danação seria o pós-guerra, em que a Alemanha perdeu sua autonomia política por um tempo e ainda acabou dividida entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental até pouco tempo atrás.
Em geral, o fim de Fausto nos livros não é agradável. Então, ao planejar seu novo ano, te aconselho a não cair na tentação de Fausto.
Boas Festas!!!!!!!!!