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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

100 CENSURA


Olá, estamos de volta com mais um 100 Censura. Semana passado falamos brevemente da Carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro documento escrito em terras tupiniquins. A literatura brasileira demorou a desenvolver-se, até porque a colonização do Brasil foi demorada. Somente após 30 anos da visita de Pedro Álvares Cabral é que surgiu a primeira vila em solo brasileiro. Então, num longo período, a literatura que se desenvolveu por aqui foi a chamada “literatura informativa”, feita por viajantes e visionários. Os principais representantes dessa literatura, segundo Alfredo Bosi, são:
- A Carta de Pero Vaz de Caminha (1500)
- Diário de Navegação, de Pero Lopes de Souza (1530)
- Tratado da terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil, de Pero Magalhães Gândavo (1576)
- Narrativa epistolar e o Tratado da terra e da gente do Brasil, do jesuíta Fernão Cardim (1583)
- Tratado descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Souza (1587)
- Diálogos das grandezas do Brasil, de Ambrósio Fernandes Brandão (1618)
Esses textos trazem relatos de como era o Brasil naquele período, falam da fauna, flora e habitantes. Como eram coisas desconhecidas pelos europeus, as descrições feitas nos parecem muito estranhas, veja a descrição de um tatu, feita por Gândavo:

“Chamão-lhes tatüs, são tamanhos como coelhos e têm hum casco à maneira da lagosta como de cagado, mas he repartido em muitas juntas como laminas; parecem totalmente hum cavallo armado, têm hum rabo do mesmo casco comprido, o focinho he como de leitão, e não botão mais fora do casco que a cabeça, têm as pernas baixas e crião-se em covas, a carne delles tem o sabor quasi como de galinha”.

Se você quiser ler todo o Tratado da terra do Brasil, de Gândavo, e ver como ele descrevia nosso país, siga i link:

http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html

Boa leitura!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

100 CENSURA


Após um longo período de férias, o 100 Censura finalmente retorna. Como o ano está se iniciando (na maior parte do Brasil o ano só começa efetivamente após o carnaval), pensei em fazer algo mais didático (parece professora falando ...) e falar da literatura brasileira desde seus primórdios.
A literatura brasileira começa com o descobrimento do Brasil. Calma pessoal, nenhum escritor tupiniquim começou uma grande obra literária em 1500, apenas convencionou-se que a primeira obra literária brasileira é a Carta de Pero Vaz de Caminha. Então podemos dizer que o primeiro escritor “brasileiro” foi um português e a primeira “obra literária”, uma carta.
Nesta carta, Pero Vaz informa ao rei o “achamento” do Brasil e lhe fala algumas impressões primeiras a respeito da terra e dos seus habitantes. Veja a descrição que o escritor faz dos índios:

“A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta, mais que de sobrepente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.”

Para ler a Carta na íntegra, siga o link:
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=552

Boa leitura.

domingo, 21 de dezembro de 2008

100 CENSURA



Estamos nos aproximando de mais um final de ano. É nesta época em que nós, normalmente, resolvemos fazer mudanças, buscar coisas novas, nos prometendo que neste novo ano as coisas serão diferentes, teremos dinheiro no bolso, muita alegria e sucesso. Pensando nisso, lembrei-me de um personagem da literatura mundial que resolveu buscar o sucesso a qualquer custo. Este personagem chama-se Fausto. Não se preocupe se você não lembra em que livro ele aparece. Na verdade, ele está em vários livros, mas sempre com o mesmo mote. Ele faz um pacto com o diabo para ficar jovem e rico, tendo tudo o que quisesse. Um pacto perfeito, exceto por um detalhe, o pagamento. Fausto, ao fim de um determinado tempo, teria que entregar sua alma ao diabo.
O mito de Fausto surge na Idade Média, precisamente na Alemanha, e surge baseado num personagem histórico, João Jorge Fausto. Esse fausto histórico era um mágico que iludia as pessoas com seus truques, mas que se intitulava o chefe dos nigromantes. Após a sua morte surgiu a lenda de que ele teria feito um pacto com o demônio e, obviamente, isso foi parar nos livros. O primeiro livro a tratar do assunto é o Faustbuch, escrito em torno de 1580.
No Faustbuch, Fausto faz um pacto de 26 anos com um demônio chamado Mefistófeles. De acordo com o pacto, o demônio responderia todas as perguntas que Fausto viesse a fazer, daria a Fausto todas as mulheres que ele quisesse e ainda o manteria jovem. Em contrapartida, ao fim dos 26 anos, Mefistófeles poderia fazer o que quisesse com o corpo de Fausto e levaria sua alma para o inferno. Fausto viveu muito bem os primeiros anos, mas, a medida em que o seu fim se aproximava, ele se sentia cada vez mais apavorado. Mas não teve jeito. Chegou o dia da morte de Fausto. O livro não relata a morte de modo direto, apenas conta que os discípulos de Fausto ouviram barulho em seu quarto, gritos de socorro e de dor, e depois, o silêncio. No dia seguinte, encontraram o quarto cheio de sangue, dentes de Fausto espalhados pelo chão, mas o corpo estava do lado de fora da casa, no estábulo, esquartejado.
O mito se desenvolveu, Goethe, outro escritor alemão, também escreveu seu Fausto, uma peça de teatro em que alguns elementos do primeiro livro são resgatados, há o pacto, Fausto tem o que quer, porém, no fim, diferente do primeiro, Fausto não vai para o inferno. Por causa do amor verdadeiro que Margarida sente por ele, Fausto é salvo no último instante do inferno.
Mais um escritor alemão a abordar o tema foi Thomas Mann. Ele escreveu Doutor Fausto como uma alegoria. Neste livro, o demônio representa ninguém menos que Hitler que teria seduzido o povo alemão com promessas de grandeza e, conseqüentemente, a Alemanha teria assinado um pacto com o diabo ao eleger Hitler. Assim, a Alemanha seria representada por Adrian, que faz as vezes de Fausto, e Hitler seria Mefistófeles, o demônio. A danação seria o pós-guerra, em que a Alemanha perdeu sua autonomia política por um tempo e ainda acabou dividida entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental até pouco tempo atrás.
Em geral, o fim de Fausto nos livros não é agradável. Então, ao planejar seu novo ano, te aconselho a não cair na tentação de Fausto.
Boas Festas!!!!!!!!!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

100 CENSURA

Olá Pessoal, o blog lfmega.blogspot.com tem uma nova integrante.

A partir de hoje contaremos com os comentários sobre Literatura de Eleisa Mathis, uma Mestranda em Literatura Brasileira que nos brindará com seus conheciementos e análises.

A sua primeira coluna, dá título ao seu espaço.
Espero que apreciem:



100 Censura

Bem, como abriram espaço para mim neste blog, melhor me apresentar.
Eleisa Mathias, professora de língua portuguesa e literatura, mestranda em literatura brasileira pela UFRGS, paranaense de nascimento, gaúcha por opção e gremista de coração. Acho que, com essas informações, já deu para ter uma idéia de quem sou.

A Rede Globo de televisão iniciou esta semana a exibição de uma minissérie baseada na obra de Machado de Assis, Capitu. A série baseia-se no livro Dom Casmurro. Durante muitos anos a crítica dizia que Capitu havia traído Bentinho. Entretanto, lá pelas tantas, alguém percebeu que quem contava a história era Bentinho, e que ele não tinha certeza da traição, apenas indícios que também não eram lá muito fortes. Eis Capitu redimida. Talvez ela não tenha, afinal, traído Bentinho. O tema adultério aparece nos três romances da grande fase de Machado. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, o adultério acontece de fato entre Brás e Virgília. Em Quincas Borba, Rubião apaixona-se por Sofia, que é casada com Palha. Ela aceita a corte de Rubião até certo ponto, apenas por interesse, mas o adultério não ocorre. Mas em Dom Casmurro a dúvida persiste. Capitu traiu ou não Bentinho?
Então leitor, não quer dar sua opinião?