sábado, 6 de dezembro de 2008

PITACOS BLUESEIROS & GERAIS

“BESSIE SMITH”

“Ouvirmos ainda hoje o pranto melancólico de uma doce mulher –Blues Belle, como também era chamada, que chegou a ser considerada a Embaixadora do Blues, mas afundou na imensidão do oceano da decepção, do álcool, dos bares de última categoria, chegando a ponto de morrer sem que ninguém lhe lançasse uma única linha de reconhecimento.”


Bessie Mae Smith nasceu em 15/abr/1895, em Chattanooga, Tennessee. Ficou órfã aos 8 anos de idade, e a partir de 1912 iniciou a cantar em espetáculos ambulantes, sempre fazendo parte do coro musical destes. Em 1915 encontrou-se com Ma Rainey, realizando várias turnês pelo sul norte-americano, até que em 1918 já tinha seu próprio espetáculo. No começo dos anos 20 mudou-se para a Costa Leste, trabalhando na Filadélfia e em Nova Jérsei. Durante os anos 20 ofereceu-se para trabalhar em várias companhias fonográficas, sempre sendo rejeitada tanto pela sua voz quanto pelos seus modos grosseiros (!!!), até que em 1923 finalmente foi contratada por Frank Walter, na Columbia.


Em fevereiro de 1923 gravou suas primeiras canções. Vendeu 800.000 cópias em seis meses, um estrondoso sucesso!! Foi enormemente prejudicada pela grande depressão que abateu-se sobre a economia norte-americana no final dos anos 20, período em que também surgiram sérios problemas com o GIM. Gravou canções pornográficas, participou nas gravações de curta-metragens e conviveu com fracasso nas vendas – seu último disco “Shipwreck blues” vendeu apenas 400 cópias – e teve que manter-se apenas de seus grandiosos shows, época em que chegou a se apresentar no famoso “Carnegie Hall”.


Em 1937 o blues iniciava sua recuperação e Bessie havia organizado uma sessão de gravação em Hollywood, quando durante uma turnê, sofre um acidente na rodovia 61. Conforme versão da época, morreu sem assistência por ser negra. Seu biógrafo oficial, Frank Albertson, no entanto desmentiu essa afirmação, alegando que Bessie não morreu nem pelo racismo nem pela xenofobia da época, mas sim um acumulado de situações adversas. Na madrugada de 26/set/1937 Bessie e Richard Morgan, amante de Bessie na ocasião, colidiram contra um caminhão de bolachas, Morgan resultando ileso e Bessie com sérias lesões no tórax, braços fraturados e uma grave hemorragia. Foi imediatamente atendida por Hugh Smith, médico branco que passava no local. Após 20 minutos da espera por uma ambulância, resolveram levá-la ao hospital no carro de Hugh, quando um casal em estado de embriaguês provocou novo acidente, batendo contra o carro no qual Bessie estava acomodada.


Ela chegou a ser levada à Clarksdale, mas morreu por falta de estrutura adequada para atendimento de hemorragia grave no local. Seus restos mortais foram depositados em um cemitério nos arredores de Filadélfia, em uma tumba anônima, até que finalmente em 1970, com financiamento de Janis Joplin, sua fã incondicional, foi colocada em sua tumba uma lápide onde se lê “A maior cantora de blues do mundo nunca deixará de cantar.”

POR LUCIANO TEIXEIXEIRA

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