quinta-feira, 8 de novembro de 2012

1 ano de Sofia a conta gotas.





Adoro quando ela me olha e diz; "meu papai".
Mais ou menos nesta época do ano passado (2011) eu tinha uma conversa com minha ex-companheira em uma banco da Praça General Andrea. Já estávamos separados e ela me comunicava que em poucos dias deixaria a cidade para trabalhar em Rio Grande, distante cerca de três horas e/ou R$ 40,00 (de ônibus).

A tristeza e choro se apossaram de mim quando me dei conta que não mais teria o intenso contato que tinha com minha filha desde que nascera. Agora mais mais uma vez sinto a mesma coisa, o mesmo aperto, por simplesmente estar na frente de um computador digitando este texto.

A intensidade que me foi tirada não tem como ser reparada. Eu era um pai integral com todos os ingredientes que tem um pai integral. Participara de cada momento da vida do jardim de minha alegria com intensidade  Estava acostumado a ser o único homem em salas de espera dos postos de saúde do SUS, tanto em Pelotas como em Santa Vitória.

Já estava habituado em levantar com os o choro da Sofia que me esperava em pé no seu berço e com os bracinhos esticados esperando que a levantasse no colo. Depois disso a levava para a escola e quase todos os dias eu mesmo a retirava a tardinha para ficar mais algumas horas com ela.
Numa dessas horas que eu ficava com ela, a tardinha, ela deu seus primeiros passos. Nunca mais esquecerei  quando ela se soltou do sofá e deu três passos em minha direção, com os braços abertos e um sorriso no rosto que misturava alegria, coragem e apreensão.

Agora faz um ano que não tenho mais esta intensidade com a qual sempre sonhei, esperei e executei enquanto pude. Neste período o maior tempo seguido que tive minha filha comigo foram uns 10 dias seguidos. Nada mais, 10 dias e nada mais.

Sofia nasceu de parto normal em 4 de Março de 2010
Alguns finais de semana, uma ou outra oportunidade tentando aproveitar ao máximo o tempo com ela. Assim são as coisas, assim é a vida hoje a qual me sinto um impotente completo por não ter, não vislumbrar uma maneira de torná-la melhor.

Neste tempo minha filha desenvolve a fala, adquire valores, começa a formar a sua visão de mundo, de certo, de errado. E eu? De fora disso tudo surjo como um turista na vida dela que as vezes a tira de sua casa para passar efêmeros momentos.

Sinto tanta saudades que não tenho mais como mensurar, como medir, como transmitira a quem lê. E a saudade que sinto é mais do que a saudade que sinto da Sofia, é a saudade de ser PAI no sentido integral da palavra.

Em todo o caso agora vem as férias de verão e quem sabe posso ficar mais do que 10 dias, desta vez, com a Sofia, o jardim da minha alegria.

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