Por: Bruno Rota Almeida
Era verão de 2001, em mais uma tardinha de sol no querido Hermenegildo. Os pretensos atletas se aproximavam para o início de mais um futebolzinho na praia. Vinham de todos os lados, descendo as subidas, ao mesmo tempo em que os outros veranistas subiam as descidas. A bola era jogada ao céu de modo que mais outros amigos pudessem avistar o local do joguinho.
Os times se definiam, a bola era passada de um lado para outro à espera da pelada, quando eis que surge uma pessoa bem característica descendo de uma pousada da região.
Um homem mais branco que o branco dos esquimós, pernas notoriamente compridas, acompanhando o tamanho dos pés e das mãos, definindo-se em um corpo significativamente alto e desengoçado.
A bola cai no chão sem que ninguém a dominasse. Todos mirando a aproximação do referido ser. Ele chega e, no mesmo momento que todos olhavam-no atenciosamente, tenta iniciar a sua primeira comunicação: Hi! Diz ele, identificando e corroborando sua origem norte-americana.
O americano aponta a bola e para ele mesmo logo depois, demonstrando sua intenção de participar da pelada. Um problema foi estupidamente escancarado: ninguém sabia falar sequer uma palavra em inglês. No entanto, seguido a experiência e a malícia de um dos velhos integrantes do futebolzinho, o futebol é um esporte universal, e apenas com gestos e indicações seria possível indicar o time a que pertence americano e o lado que este atacará.
Lá estavam todos realizando gestos e apontando dedos, como se fosse uma competição municipal de mímica. O escândalo de mãos somente cessou o “OK” do americano, indicando que havia entendido tudo.
E logo o jogo se iniciou. A bola passa por um e por outro até chegar no americano. Todos observavam atentamente sua jogada, esperando uma reação do cidadão do tio Sam. E teve. Virou o corpo 180º e com um chute quase que implacável fez passar a bola por entre as duas traves do gol, do próprio gol. Ninguém entendeu o que passou na cabeça do americano, nem ele mesmo!
Moral da história: uma exceção à linguagem universal do futebol.
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