Uma das coisas mais difíceis na vida é se colocar no lugar do outro. Se imaginar tomando a decisão daquela pessoa, tão contestada, tão estranha, afinal por que ele fez isso ou não fez aquilo?
Essa é uma das atribuições que Sociólogos, Cientistas Políticos e Antropólogos se impões o tempo inteiro. Procurar enxergar através dos olhos do outro. Não se trata de contar uma história, como nossos colegas jornalistas, mas de entender por que ela aconteceu da forma como aconteceu.
Exercitando este fundamento de minha profissão, tal qual um futebolista treina o chute, chego humildemente a uma conclusão. Se eu fosse o Serra investiria pesadamente em encontrar qualquer coisa que ataque a Dilma. A transferência de votos e o crescimento de Marina só se deu depois do caso Herenice.
Até a explosão da denúncia não havia dúvidas de que a eleição teria apenas um turno. Nem mesmo os tucanos pareciam acreditar em uma virada. Eles esperavam um fato novo e esse fato ocorreu, foi a denúncia de corrupção na Casa Civil.
Se eu fosse Dilma tentaria contra atacar, mas não com denúncias contra os Tucanos e sim desacreditando suas propostas. Eu, sendo a Dilma, faria de tudo para comprovar que é impossível no ano que vem um salário de R$ 600,00 mas que é possível que ele chegue a sei lá, R$ 900,00 ou mil no próximo mandato.
Eu mostraria as pessoas que tiveram suas vidas mudadas por avanços do governo federal e deixaria para os debates, principalmente o último uma série de ataques, aí sim, aos tucanos. Cada pergunta seria uma denúncia. E em cada réplica uma proposta. Esta proposta seria sempre em relação a denúncia e com a pretensão de sanar o caso.
E se eu fosse a Marina eu ficaria neutra. Só o que a Marina precisa para vencer a próxima eleição é ser totalmente independente da disputa PT-PSDB nos próximos 4 anos. Ela conquistou 20 % da população e se coloca como a terceira via possível, algo que Garotinho, Ciro Gomes, Heloísa Helena; Cristóvão Buarque e Plínio de Arruda Sampaio não conseguiram.
Tudo que a Marina tem a fazer para perder essa construção é apoiar algum desses que aí estão. A idéia de terceira via se esvairia pois ficaria claro que a preocupação do PV e de suas lideranças seria ocupar cargos e não implementar sua política. Isso por que não importa a quem se apóie, quem governa é quem vence e os apoiadores se submetem, na maioria dos casos, a sua política.
E como eu não sou nenhum deles posso me deliciar escrevendo sobre a eleição do dia 31 e ficar me perguntando. O que será que vai acontecer?
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