terça-feira, 23 de janeiro de 2018

VOLTANDO AO MUNDO REAL



Depois de um mês acompanhando, bem de longe, os noticiários, blogs e o bando de fakes que inunda o facebook estou de volta. E volto logo em um dos momentos mais importantes da história do meu país.
Amanhã (24 de Janeiro de 2018) decide-se não apenas se um ex-presidente poderá concorrer ou não nas eleições de Outubro deste ano. Está em jogo muito mais do que isso.
Se houver uma condenação o campo político que Lula representa não acabará. Irá se reorganizar em torno de outro candidato e seu sucesso ou não fará parte da história também.
O problema não é a condenação ou absolvição de Lula em sí. É o que significaria. Condenar uma pessoa sem provas abrirá um precedente gigante que terá força suficiente para tornar o nosso País o mais injusto entre todos os países do mundo.
Pensem todos vocês que se uma pessoa que exerceu o maior cargo político desta República por 8 anos poderá ser condenado sem provas o que será feito com as pessoas ditas comuns?
A Democracia não pressupõe apenas eleições. É muito mais do que isso. Trata-se de um sistema que deve se ater também a combater injustiças. Este sistema nasceu para que o Governo não fosse exercido por apenas uma pessoa (poderiam ser Reis, Imperadores ...). Ao fazer com que todos os cidadãos participem, dentro das suas regras, faz com que não seja a vontade de uma pessoa a definir o certo e o errado.
Se Lula for condenado sem provas ele será, obviamente perdedor, porém a maior derrotada será a Democracia no Brasil que estará caindo de vez e em um processo muito rápido, elaborado e vil.

E desta vez, ao contrário de 1964, sem nem precisar recorrer a força das armas.

PS. Estarei na manifestação em favor de Lula no dia 24 em POA.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Os Direitos Humanos, meus, teus de todos os Humanos.



Em 10 de dezembro do ano que vem, daqui a menos de uma ano por tanto, a Declaração dos Direitos Humanos da ONU completará 70 anos.
Em 1948 uma série de Direitos foram organizados em trinta artigos de modo a que esta declaração fosse Universal, Humana e por óbvio que garantisse os direitos dos humanos deste universo.
Por universal se entende que esta declaração possa ser seguida em qualquer parte, não interessando a forma de governo, a religião ou qualquer outra exceção que possa existir no local. Sendo um humano ele estará protegido por esta declaração.
Resultado de imagem para direitos humanosNão importa o local, todo o ser Humano tem direito a vida e o que fazemos? Somos um país com altas taxas de homicídio. Todo o ser humano tem direito ao trabalho e o que fazemos? Assistimos Temmer levar ao desemprego milhares e milhares de brasileiros.
Certa vez uma pessoa me disse que os direitos humanos eram, na verdade o direito dos presos. A pessoa me falava isso com raiva. Apenas lhe disse, claro os presos são humanos. Mas em todo o caso, se o preso está preso, possivelmente é por que ele violou algum dos direitos humanos.
Nenhuma declaração, Lei ou regra fará o efeito desejado apensas pelo fato de ter sido escrita. Seria tão fácil que bastaria fazermos uma lei com a seguinte redação: Artigo Único, ninguém pode cometer crime algum. Pronto, estaria resolvido o problema de toda a humanidade, se não com esta mas com mais algumas iguais a esta seria possível acabar com a fome, com os crimes, etc.
No ano que vem ao completar 70 anos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, terá assim como desde que foi escrita, mais um grande desafio. A própria Humanidade parece fazer força para que a Declaração não seja cumprida.
Vivemos em um mundo onde a realidade do presente está matando, mais uma vez, a esperança de futuro melhor. Mais uma vez o Brasil terá de escolher se opta pela esperança, na forma de um Estado, mesmo que incipiente, de bem estar social ou então uma opção mais realista, calcada em banqueiros, no lucro pelo lucro e no rentismo.
Os Direitos Humanos, e o direito a dignidade é um deles, sofrem ataques diariamente. No Brasil não é diferente. As reformas propostas por este Governo Federal estão sem sombra de dúvidas cheias de ataques a estes Direitos, declarados em 1948 mas mais necessários do que nunca.
Falta menos de um ano para que estes direitos completem 70 anos, mas quais deles ainda serão válidos no Brasil daqui a uma ano?

domingo, 3 de dezembro de 2017

Só dois, desde 1994, viraram a eleição para Presidente.



Um dos dois ou uma terceira via?
Lula lidera e Bolsonaro é o segundo, o que isso significa neste momento?

Em uma primeira análise salta aos olhos que desde 1994, apenas dois candidatos que não lideravam pesquisas um ano antes da eleição se elegeram.

Importante ressaltar que mais do que a fotografia do momento, uma pesquisa eleitoral serve mesmo como comparação com outros instrumentos, construídos com o mesmo modo e em épocas parecidas. Assim sendo, cabe comparativo com outras pesquisas e a questão aqui trata-se de comparar os cenários, avaliando se o que aconteceu em cada eleição pode servir de guia para intuirmos o que pode acontecer em 2018.

Para fins de análise utilizei as pesquisas do IBOPE  (mesmo a atual) que se mostraram mais fáceis de serem acessadas.


Vamos as comparações.
 fonte : https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/10/30/Desde-1994-como-estava-a-corrida-presidencial-um-ano-antes-das-elei%C3%A7%C3%B5es

Em Agosto de 1993
Há um ano das eleições de 1994 Lula liderava, seguido de Maluf, Brizola e FHC. A vitória um ano depois ficou com FHC que venceu em primeiro turno. O que aconteceu para que esta vitória fosse possível? O sucesso do Plano Real, lançado próximo as eleições o que fez com que a marca de "Pai do Real" fosse facilmente reconhecida pelo eleitor que fez do Ministro da Fazenda de Itamar Franco o novo Presidente do Brasil.


Em Outubro de 1997
O Presidente FHC já aparecia com 40% das intenções de voto e esse índice apenas subiu no período eleitoral fazendo com que a vitória chegasse no primeiro turno com 53% dos votos. Lula era o segundo colocado e com Brizola como vice não alterou a posição ao final do Pleito. O Presidente que era o "Pai do Real" surfava ainda na onda do plano econômico que após a eleição teve um duro revéz, porém a eleição já estava ganha.


Em Setembro de 2001
De forma muito hábil Lula e o PT surfaram nos insucesso do segundo mandato de FHC capitalizando toda a ansiedade por um Brasil melhor e mais justo que existia no País. Se a inflação havia sido vencida, ainda havia o medo e com uma mensagem de Esperança Lula liderou desde o início das pesquisas. Ciro Gomes, Itamar Franco, Rosena Sarney e Anthony Garotinho apareciam a frente de José Serra que chegou ao segundo turno, perdendo para Lula.


Em Dezembro de 2005
Mesmo com as denúncias do Mensalão, o Presidente Lula lilderava as intenções de voto com quase 35%, em segundo lugar aparecia Garotinho, seguido por Alckmin e Heloísa Helena. No final o PSDB levou Alckmin ao segundo turno sendo este derrotado por Lula. Nesta eleição o principal mote de campanha do vencedor foi "deixa o homem trabalhar", numa clara referência ao povo dar mais um chance ao Presidente para que este concluísse seus projetos. A população aceitou bem esta proposta.

Em Setembro de 2009
A Ministra Dilma Roussef se destacava nas ações de Governo. Depois de ter sido Ministra de Minas e Energia, após o escândalo do Mensalão era agora a principal articuladora do Presidente Lula. MAs isto ainda não lhe conferia popularidade. A Liderança nas pesquisas era de José Serra, com 35% das intenções de voto. Em seguida aparecia Ciro Gomes e Dilma era apenas a terceira colocada. Nesta eleição ficou mais uma vez clara que um governo bem avaliado tem condições de largar atraz e fazer a virada, foi o que aconteceu em 1994 com FHC e se repetiu em 2010 com Dilma.

Em Outubro de 2013
Dilma liderava com folga as intenções de voto. Fruto de boas avaliações do seu governo que era considerado técnico e menos político que seus antecessores. Curiosamente esta mesma classificação é usada para entender o impeachment que a mesma sofreu em seu segundo mandato. Mas em 2013, com ou sem esta avaliação, Dilma batia a casa dos 40% e Aécio e Eduardo Campos que a perseguiam não chegavam a 20%. Uma campanha bastante acirrada fez o cenário mudar várias vezes, com Marina assumindo no lugar do falecido Eduardo Campos, ultrapassando Aécio que se recuperou no final, foi ao segundo turno e quase venceu as eleições. Dilma ainda teve folego para manter a liderança mas assumiu um país rachado e acabou não terminando o mandato.

Em Dezembro de 2017
Lula lidera em todos os institutos e em todos eles Bolsonaro aparece na segunda colocação.
Na pesquisa de ontem Lula aparece com 34%; Bolsonaro com 17%; Marina e Alckmin com 6% e Ciro Gomes com 5%.



O que podemos interpretar disso tudo?
Apenas duas vezes, desde 1994, aconteceram viradas. O que há de comum nestas viradas?
1 Ambos os candidatos eram Ministros de Governos bem avaliados, FHC de Itamar Franco com o REAL e Dilma de Lula com o sucesso dos programas Socias e da ascensão da chamada "nova Classe C".

2 Movimentos econômicos fortes, o Plano Real no caso de FHC e a baixa taxa de desemprego no caso de Dilma.

3 Perfil dos candidatos, ambos se apresentaram como bons Gestores. Dilma a Ministra técnica de Lula, FHC o Sociólogo que entendia de Economia.


A pergunta que fica agora é?
Há algum movimento que possa acontecer no mesmo sentido possibilitando uma virada?
Primeiro temos que levar em conta que as duas viradas que aconteceram foram da situação sobre a oposição. Isto poderia ocorrer novamente? Em nossa opinião torna-se quase impossível visto que a situação atual tem apenas 5% de aprovação e como vimos nos dois casos este não era o cenário.


Lula surfa não apenas no sucesso dos seus dois mandatos, mas também vai muito bem quanto a forma de crítica ao atual governo. Não da certo a associação que os governistas atuais fazem de Lula, ou  mesmo do PT, com a crise atual. O Eleitor parece não entender desta maneira.

Olhando por outro lado este viés não agrada nem mesmo a aliados do Presidente Temmer. O PSDB temendo por seu desempenho eleitoral sinaliza com a saída do Governo.

O Cenário está ainda aberto para surpresas e confirmações e uma dúvida grande é o Desempenho de Bolsonaro. Será que sua retórica fortemente conservadora se manterá em alta? Que tipo de apoios ele terá em sua cruzada?

Pode ser que apareça algum nome destes considerados como de "fora" da política? Luciano Huck, por exemplo?

Conjecturas a parte o fato é que desde 1994, apenas duas vezes e em condições bem específicas, não venceu a eleição quem ja era líder há mais ou menos um  ano e neste momento Lula lidera.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Que a bigorna caia no lugar certo, assim como nos desenhos animados.



A cena clássica fez parte da infância de muita gente. O galo do deserto com velocidade ultrassônica rasga a tela levantando poeira, passando sempre pela mesma paisagem. E nesta mesma paisagem surge o coiote, um lobo do mesmo deserto que fará mil planos para alcançar seus, até onde sabemos, maldosos objetivos.
As tramas do nosso vilão darão sempre errado. O galo do deserto sempre escapa e na maioria das vezes uma bigorna acertará a cabeça do coiote. Uma bigorna que era destinada ao galo vai terminar na cabeça do coite. Simples e profundo.
Podemos imaginar quantas bigornas em cabeças alheias gostaríamos de ver cair. Nós na situação do galo do deserto, fugindo para lá e para cá da perseguição dos coites desta vida.
Há neste momento coiotes sentimentais? Coiotes esportivos? Econômicos? Sociais? Políticos?
Sim os coites políticos hoje andam se aperfeiçoando, seus planos para pegar a nós, o povo, ou o galo do deserto estão cada vez mais sofisticados, ardilosos, maldosos.
A bigorna, que na doce ficção do desenho animado sempre cai sobre a cabeça do mal feitor, na vida real política brasileira nem sempre cumpre o mesmo destino. Sendo assim, nós do povo, temos tomado muito na cabeça nos últimos tempos.
A chave para que a bigorna caia no local certo, ou seja, sobre as cabeças dos maus feitores coiotes brasileiros, está com o galo do deserto. Está com todos nós!
O voto é a nossa bigorna, uma engenhosa máquina simples, onde digitaremos três teclas. A última da sequência será a tecla verde. Verde e confirma. Em 2018 a bigorna poderá cair na cabeça dos coiotes da política brasileira, mas só se cada um de nós fizer a sua parte.
E eu neste dia 21 de novembro sinto a bigorna da saudade. Mas esta é uma história só minha.
Com vocês compartilho o desejo de que a esperança volte a vencer o medo e que a bigorna da justiça caia sobre as cabeças dos injustos e opressores coiotes golpistas da política brasileira.
Fora Temmer! Fora todos os golpistas!


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Hoje é o dia da república, assim com letra minúscula



A palavra República tem origem do latim rés publica e significa coisa do povo, ou seja, alquilo que não é privado de ninguém e pertence a muitos. Faz 128 anos que o Brasil se tornou uma República, deixando de ser Império e fazendo com que o então Imperador Don Pedro II retornasse a Portugal onde ainda seria Rei.
Nestes 128 anos entre erros e acertos, entre felicidades e tragédias passamos por momentos de caos. A República teve de ser refundada algumas vezes. A última foi ao fim da ditadura de 1964, quando inclusive chamou-se o momento de a Nova República. E a marca mais forte desta Nova República é a Constituição Federal de 1988.
Estabelecidas as regras que determinariam como o País iria se organizar começou então a luta por fazer cumpri-las. De maneira lenta, a base de muita disputa política algumas destas regras começaram a ser implementadas na prática e a fazer algum sentido.
Na área social, ao qual mais me toca, estas diferentes situações proporcionaram ao Brasil como País implantar um sistema de atendimento, de garantia de direitos e de ações preventivas também que onde pela primeira vez na história conseguiu-se de fato diminuir consideravelmente o contingente de pessoas miseráveis no País. Políticas de acesso a renda, ao trabalho, a educação e a saúde atuam no mesmo sentido.
Mas se em 1889 o povo viu meio que surpreso os militares proclamarem a República, o que se vê em 2017 é justamente o desmonte desta coisa pública, como diziam os romanos antigos. Todas as conquistas alcançadas em 1988 com a chamada Constituição Cidadã estão sendo colocadas em cheque.
Preferências a parte, basta lembrar que o pré candidato a Presidente melhor colocado nas pesquisas propõe um Referendo Revogatório para justamente chamar a população para a recomposição destes direitos que estavam garantidos até então e que hoje estão sob forte ataque.
Segundo estudos do DIAP, este mandato é o que concentra no Congresso Nacional o maio índice de Deputados e Senadores considerados conservadores desde 1962. Bastou esta situação acontecer para que estes conservadores conseguissem eleger um de seus líderes Presidente da Câmara dos Deputados e na primeira oportunidade derrubar a Presidenta eleita legitimamente de seu mandato.
E Dilma Vana Rouseff pagou caro o preço da Política determinada pelos políticos conserva dores que se apropriaram da coisa, do público, da República e hoje determinam o que o país deve debater. A pauta política hoje é a pauta política conservadora que chegou ao poder todos sabemos como, na base da traição, da esperteza e do jogo sujo.
E a república que hoje completa seus 128 anos já não merece uma letra maiúscula. Tão fraca que é, com mecanismos de defesas que estão sendo derrotados todos os dias nos plenários, salas e corredores na capital Brasília e pelo país afora.
Somente nós, os cidadão Brasileiros é que podemos reverter essa situação e fazer nada mais do que cumprir o que está escrito na Constituição de 1988. No ano que vem, em Outubro, temos eleições. Mas a República precisa de nós já, não pode esperar.
A república brasileira pede socorro e necessita voltar a ser escrita com letra maiúscula. República Federativa do Brasil.