terça-feira, 6 de abril de 2010

SEU MADRUGA


Pensei muito antes de escrever este texto. Mas acontece que no ano passado ganhei um camiseta do Seu Madruga. A camiseta tem o que seria a identidade dele, com foto e tudo. Cheguei a pensar, qual seria o melhor momento para usá-la? Hoje sei, qualquer um.

Lógico que trabalhando não a uso, mas nos demais momentos é fantástico vesti-la. Cada vez que saio na rua tanta gente me ataca para falar sobre a camiseta que sempre me surpreendo.

 Me perguntam onde comprei, aonde se consegue uma dessas e ficam todos tristes quando digo que não sei onde foi comprada, que ganhei de presente. Até uma vendedora de passagens na Rodoviária de POA me perguntou aonde comprava uma.

Nunca imaginei que o Seu Madruga (personagem interpretado pelo ator mexicano Ramón Valdéz) fosse tão e tão querido. Me detive em pensar sobre isso e parei para dar uma analisada no seriado Chavez, ao qual o personagem pertence.

Mesmo sendo cômico existem ali estereótipos bem definidos. Estão representados os ricos (Sr Barriga) e seu filho (Nhonho); a elite falida (D. Florinda) e seu filho metido (KIKO); as crianças de rua (Chavez); os aposentados (D Clotilde, ou a Bruxa do 71); os intelectuais (Prof. Girafales); funcionários públicos (Seu Jaiminho, o carteiro); Ladrões (Sr Furtado, que aparece em apenas 1 episodio) e os pobres (Seu Madruga e sua filha Chiquinha).

Seu Madruga faz de tudo para melhorar de vida. Apesar de ser um tanto malandro não perde uma chance de ganhar dinheiro. Seja em atividade legais e outras nem tanto. Geralmente todas as suas idéias dão errado e muitos episódios terminam com ele levando uma surra de Dona Florinda, que não suporta conviver com ele. Na maioria das vezes a surra recebida por ele é injusta.

Mesmo tendo a sua vida cheia de obstáculos é capaz de formular frases como “a vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”. Ou então, “as pessoas boas devem amar seus inimigos” e a mais clássica de todas, meio autobiográfica “não existe nada mais trabalhoso que viver sem trabalhar”. Nunca esquecendo sua teoria sobre o emprego, “não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar”.

Talvez por isso, por sofrer tantas injustiças e seguir sendo sempre a mesma pessoa com seus defeitos e virtudes, às pessoas se identifiquem tanto com este personagem fantástico que pertence há um programa que tem mais de trina anos. 

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